Marcio Fernandes/Estadão
Balança comercial registrou saldo positivo de US$ 7 bilhões em junho. Marcio Fernandes/Estadão

Com queda nas importações, Brasil fecha pelo 3º mês seguido no azul transações com outros países

Dados refletem os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que a partir de março se intensificou no Brasil, reduzindo o volume de importações de produtos

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2020 | 10h26

BRASÍLIA - Após o superávit de US$ 1,326 bilhão em maio, o resultado das transações correntes ficou novamente positivo em junho deste ano, em US$ 2,235 bilhões, informou nesta terça-feira, 28, o Banco Central. Este foi o terceiro mês consecutivo de superávit em conta corrente.  

O resultado das transações correntes, um dos principais sobre o setor externo do país, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

Os dados refletem os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que a partir de março se intensificou no Brasil, reduzindo o volume de importações de produtos. A autarquia projetava para o mês passado superávit de US$ 2 bilhões na conta corrente.

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 7 bilhões em junho, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,37 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 3,452 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou positivo em US$ 2,42 bilhões.

No acumulado do primeiro semestre, o rombo nas contas externas soma US$ 9,734 bilhões. A estimativa atual do BC é de déficit em conta corrente de US$ 13,9 bilhões em 2020.

Nos 12 meses até junho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 38,188 bilhões, o que representa 2,35% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o menor porcentual desde maio de 2019 (2,32%).  

Investimentos estrangeiros

Em um ambiente ainda de incertezas sobre o futuro do Brasil, na esteira da pandemia do novo coronavírus, os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 4,754 bilhões em junho, o maior resultado para meses de junho desde 2018 (US$ 6,239 bilhões).  

No acumulado do primeiro semestre, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 25,349 bilhões. A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 55,0 bilhões.

No acumulado dos 12 meses até junho deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 71,676 bilhões, o que representa 4,41% do Produto Interno Bruto (PIB). 

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Gasto de brasileiros no exterior é o menor para o 1º semestre em 13 anos

Em maio, os Estados Unidos anunciaram a proibição de entrada de viajantes estrangeiros provenientes do Brasil; outros países também adotaram a mesma medida

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2020 | 10h17

BRASÍLIA - Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 3,573 bilhões no primeiro semestre deste ano, informou nesta terça-feira, 28, o Banco Central.

Na comparação com o mesmo período de 2019, quando as despesas no exterior totalizaram US$ 8,807 bilhões, a queda foi de 59,4%. Esse também foi o menor valor para o período desde 2007, ou seja, em 13 anos.

A conta de viagens internacionais registrou déficit de apenas US$ 72 milhões em junho, informou o BC. O valor reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil no período. Em junho de 2019, o déficit nessa conta foi de US$ 1,150 bilhão.

Na prática, com o dólar em níveis altos e as limitações para que brasileiros possam viajar a outros países, os gastos líquidos no exterior despencaram 93,74% em junho deste ano. Vale lembrar que a pandemia do novo coronavírus ganhou corpo a partir de março, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países. No dia 24 de maio, porém, os Estados Unidos anunciaram a proibição de entrada de viajantes estrangeiros provenientes do Brasil. Na esteira deste movimento, outros países também decidiram restringir a entrada de brasileiros.  

O desempenho da conta de viagens internacionais no mês passado foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 239 milhões – queda de 84,32% em relação a junho de 2019. Já o gasto dos estrangeiros em viagem ao Brasil ficou em US$ 167 milhões no mês passado, o que representa um recuo de 55,35%.  

No primeiro semestre, o saldo líquido da conta de viagens ficou negativo em US$ 1,735 bilhão. Este valor é 69,72% menor que o visto em 2019.  

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