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Com R$ 1 bi em caixa, os Szajmans agora vão se dedicar à tecnologia

Após venda para a Sodexho, a família vai apostar em cartões pré-pagos e aplicar o dinheiro em fundos ao redor do mundo

Patrícia Cançado e Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

04 de outubro de 2007 | 00h00

Nos anos 90, o Grupo VR chegou a ter uma frota de 100 carros blindados só para entregar vales de papel no Brasil inteiro. Há quase dez anos, porém, o VR vendeu a frota, digitalizou toda a papelada e criou a SmartNet, a empresa de tecnologia do grupo que captura e processa os pagamentos eletrônicos. No fim de setembro, a família Szajman abandonou de vez a era do vale-benefício ao vender o negócio para a francesa Sodexho por R$ 1 bilhão. Agora, o grupo quer espalhar o conceito dos cartões inteligentes e pré-pagos para outras áreas como transporte, saúde e varejo.''''Vamos atuar como a Intel. Ela não vende computador, mas a tecnologia que está por trás da máquina. Vamos ser como uma ''''Intel inside'''' para empresas de vários ramos, já incluindo a própria Sodexho'''', afirma Cláudio Szajman, presidente do Grupo VR e filho do fundador, Abram.O dinheiro da venda irá para a holding dos Szajmans, que além da SmartNet, controla o BancoVR, a gravadora Trama, uma incorporadora imobiliária e um fundo de investimentos em ativos no mundo inteiro. ''''Como a gente vai dividir o dinheiro, eu vou resolver'''', diz Abram, o fundador.Por enquanto, o que está definido é que a família não pretende inventar a roda, mas investir nos negócios que já possui. Nos próximos cinco anos, eles vão aplicar entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões na SmartNet. Em vez de gastar dinheiro na construção da rede - hoje com 100 mil terminais eletrônicos em 1200 cidades -, o grupo vai buscar novos mercados.O foco são serviços onde o uso de cartão está se popularizando. A atuação na área da saúde é o que está mais claro para o grupo. ''''Nesse mercado, a automação vai ajudar na identificação do usuário do sistema de saúde e na liberação de autorizações para consultas e exames'''', explica Cláudio.A prestação de serviços para empresas de transporte e varejo também está no radar do grupo. Os Szajmans acreditam que poderão processar parte dos milhões de cartões dos usuários de transporte público do País. ''''Hoje tem mais de 150 municípios saindo do papel e indo para o cartão. O pré-pago é uma solução fenomenal para a baixa renda'''', diz Cláudio. ''''E a gente consegue ser viável economicamente, chulamente ganhar dinheiro com transações de R$ 1.''''Estima-se no mercado que a SmartNet fature por volta de R$ 100 milhões. Ela processa 500 milhões de transações por ano, um terço do volume da Redecard (empresa que concorre com a SmartNet em processamento de cartões de benefícios, porém mais focada em operações de débito e crédito). ''''Eu vejo a SmartNet como uma empresa que está aproveitando uma oportunidade de mercado porque tem uma tecnologia apropriada. Mas nada impede que a Redecard ou a Visanet desenvolvam uma tecnologia mais simples'''', diz o analista do Unibanco, Carlos Macedo. ''''Recentemente, a Redecard lançou uma tecnologia que permite pagar compras pelo celular. É um negócio que vai funcionar muito bem em deliveries e táxis.''''O grosso do dinheiro que entrou no caixa deve ir para o fundo de investimentos que administra aplicações da família há oito anos. Eles têm desde aplicações financeiras em diversos fundos até participações em empresas no Japão e Rússia e pequenas centrais hidrelétricas no Brasil. Quando perguntado se existe alguma chance de repetir a experiência do Banco Real, Abram, que se tornou o segundo maior sócio do banco de Aloysio Faria antes da venda para ABN Amro, não hesita: ''''Pode. Se o investimento der retorno...'''' Abram não tem apego ao tijolo. Ele já viveu em um cortiço, começou a trabalhar como office-boy aos 13 anos na malharia de um tio, teve sua própria tecelagem com os Rabinovitch, uma corretora de valores e criou a VR, agora vendida por R$ 1 bilhão.

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