Com R$ 100 mil é possível elaborar uma carteira bem diversificada

Tenho disponíveis R$ 100 mil e fui aconselhado pelo gerente da minha conta a aplicar em um plano de previdência VGBL. É uma boa aplicação para o atual momento econômico?

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

A questão não é se o VGBL é ou não uma boa opção no momento, mas sim qual é o seu objetivo em relação ao valor poupado. A quantia de R$ 100 mil já é um valor muito bom de poupança e com diversas possibilidades de aplicação e diversificação. Caso a sua meta seja a aposentadoria, os planos de Previdência podem ser uma boa opção, mas não única. Você pode analisar outras opções de investimento como criar a sua própria carteira na qual poderá diversificar aplicando em títulos do Tesouro Direto, outros títulos de renda fixa e uma outra parte em renda variável. Caso o seu conhecimento sobre finanças não seja grande e/ou não tenha tempo para fazer a gestão de uma carteira própria, os planos de previdência são muito boas opções de investimento. Por outro lado, busque conhecer melhor as diferenças entre os diversos planos, principalmente as diferenças tributárias entre os planos PGBL e VGBL.

A única dependente que tinha no meu Imposto de Renda faleceu há cerca de dois anos. E, este ano, o Leão mordeu cerca de R$ 3 mil dos meus rendimentos obtidos em 2010. Terei uma restituição de apenas R$ 600. Minha questão é: se tivesse gasto mais com médicos e cursos, que são dedutíveis, minha restituição seria maior? Mas em termos financeiros, ganho mais gastando um valor maior com esses custos dedutíveis no decorrer do ano e recebendo restituição mais alta ou economizando e colocando os recursos na caderneta de poupança?

Tributos são devidos pela geração de renda e ganhos de capital, na perspectiva da sociedade isso é algo justo. Afinal, devemos contribuir para que o Estado possa servir a todos. A nossa indignação ocorre porque estamos acostumados a ver tanta corrupção e mau uso do dinheiro público e não temos, muitas vezes, retorno algum. Não temos educação, saúde e segurança pública, para falar o mínimo. Por outro lado, na perspectiva financeira vale a pena o seu esforço de poupar e assim poder atingir os seus planos futuros. Mas pense no oposto, imagine que você consome toda sua renda, agora visualize os seus objetivos e pergunte-se como conquistá-los sem guardar dinheiro no momento atual. Provavelmente a resposta será que não há como fazer as coisas que você pretende sem gerar poupança para gastar depois. Por outro lado, consulte algum especialista e verifique se não há equívocos em sua declaração de Imposto de Renda. Lembre-se que a data limite para entrega do documento ao Fisco é dia 29 de abril.

Programei uma viagem à Europa para setembro e não tenho dinheiro suficiente para bancar os custos. Meu salário é de R$ 3 mil. Para ajudar na viagem vou pegar um empréstimo de R$ 7 mil. Será que estou tomando a melhor decisão?

A pergunta que todos nós devemos fazer quando estamos frente à possibilidade de consumo é: "Eu quero ou preciso disto?". Caso a resposta seja "Eu preciso", não há muito o que discutir, gasta-se e vamos buscar uma solução dentro do nosso orçamento para acertar aquela conta. Falando claramente, a resposta "eu preciso" deve ser objetiva, uma necessidade real, como um tratamento médico, por exemplo. Não vale responder "eu preciso" na hora da compra do milésimo par de sapatos somente porque o novo modelo está na moda. Por outro lado, quando a resposta é "Eu quero isto", o consumo só deve ocorrer se houver capacidade de gasto em seu orçamento. Aparentemente este não é o seu caso. Ficar endividado mais de duas vezes em relação à sua receita não é uma decisão coerente. Toda a beleza da viagem será apagada pela dor de cabeça da volta. Enfim, analisando friamente a situação que chego à conclusão é de que não vale a pena pegar um empréstimo para fazer uma viagem de férias.

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP

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