Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Com R$ 144,8 bi até setembro, fusões e aquisições são recorde em 2010

Valor acumulado em nove meses é superior a todo o ano de 2007, quando se registrou a maior marca anterior, com operações que somaram R$ 136,5 bilhões; analistas projetam que o mercado deve seguir aquecido no ano que vem, mas não com a mesma força

Vinícius Pinheiro, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

Grandes negócios nos setores de telecomunicações, aviação, finanças e energia movimentaram o mercado de fusões e aquisições em 2010. Entre janeiro e setembro, as operações totalizaram R$ 144,8 bilhões, o que já representa um recorde, mesmo em comparação com todo o ano de 2007, até então o de maior movimentação, com R$ 136,5 bilhões.

Para 2011, a expectativa é de que o mercado se mantenha aquecido, por conta das perspectivas positivas para a economia e o crescente interesse do investidor estrangeiro no País. Mesmo os mais otimistas, porém, avaliam que dificilmente o volume de operações supere o deste ano. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Das dez maiores operações anunciadas até setembro, último balanço disponível, três aconteceram no setor de telecomunicações, inclusive a maior do ano: a compra da participação da Portugal Telecom na Vivo pela Telefônica, por R$ 18,2 bilhões. Os portugueses também protagonizaram outro grande negócio no setor, com a entrada no capital da operadora brasileira Oi, em uma transação avaliada em R$ 9 bilhões. "É difícil imaginar que teremos uma repetição do que ocorreu este ano com o setor de telecom", diz o presidente do subcomitê de fusões e aquisições da Anbima, Bruno Amaral.

O vice-presidente da área de banco de investimento do Itaú BBA, Jean-Marc Etlin, também espera que o ritmo de fusões e aquisições se mantenha forte, embora com volume menor em relação a este ano, quando houve grandes movimentos de consolidação. No total, foram anunciadas 94 fusões e aquisições entre janeiro e setembro, ante 68 no mesmo período de 2009. Até setembro, o banco liderava o ranking da Anbima - que considera apenas as operações acima de R$ 20 milhões - por número de negócios, enquanto o Morgan Stanley era o líder em volume.

O próximo ano deve ser marcado ainda pela volta com maior apetite do investidor estrangeiro, principalmente da Europa e dos EUA, que ficaram praticamente fora do mercado no primeiro semestre de 2010, em meio às incertezas provocadas pela crise financeira.

Novas aquisições. Na análise do advogado André de Almeida, sócio da Almeida Advogados, os estrangeiros devem continuar agressivos na compra de empresas brasileiras, apesar de os ativos nacionais estarem caros para compra, tanto por conta da grande procura quanto pela apreciação do real em relação ao dólar. "A valorização das ações de uma empresa listada lá fora, ao anunciar uma aquisição no Brasil, mais do que compensa o valor a mais que ela paga no negócio", diz.

Entre os grandes negócios recentes fechados por estrangeiros no País está a entrada de um consórcio de nove investidores, liderado pelos três maiores fundos soberanos do mundo (Cingapura, China e Abu Dhabi), no capital do BTG Pactual. Com o aporte de capital de US$ 1,8 bilhão, o grupo passou a deter cerca de 18,6% do capital do banco de investimento brasileiro.

Para Luís Motta, sócio da empresa de auditoria e consultoria KPMG, a grande novidade no mercado este ano foi o avanço dos asiáticos, especialmente da China. Para ele, a presença dos chineses nos grandes negócios de fusões e aquisições no País será cada vez mais frequente.

Recursos. "Qualidade de ativos no Brasil e recursos disponíveis na China não faltam", diz Motta. Uma amostra da boa disposição dos chineses foi o aporte de US$ 7,1 bilhões pela petroleira Sinopec para deter 40% da subsidiária brasileira da Repsol, que se preparava para abrir o capital na BM&FBovespa.

Apesar do avanço dos estrangeiros, Motta destaca o aumento de negócios envolvendo empresas brasileiras, tanto no exterior, em movimentos de internacionalização, quanto no próprio País. "Capitalizadas com o aporte de fundos de private equity ou após realizarem ofertas de ações, as companhias nacionais estão liderando movimentos de consolidação", afirma o executivo da KPMG.

O volume de aquisições por parte de empresas brasileiras somou R$ 22,6 bilhões de janeiro a setembro deste ano, enquanto as aquisições de estrangeiras por brasileiras atingiu R$ 44,1 bilhões no mesmo período, segundo dados da Anbima.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.