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Com R$ 90 bi, banco público avança no crédito

Instituições vão tomar espaço de bancos privados e estrangeiros, que devem emprestar R$ 74 bilhões

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

O aprofundamento da crise global, a partir de setembro, fez as instituições financeiras públicas avançarem sobre o crédito total da economia, tomando espaço dos bancos privados e dos estrangeiros. Em dezembro de 2007, os empréstimos concedidos por entidades controladas pelo Estado - como o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal - representavam 34,1% do crédito no País. Em dezembro de 2008, a participação havia crescido para 36,2%. A tendência, dizem analistas, deve se manter em 2009. Uma projeção do economista Luís Miguel Santacreu, da Austin Rating, feita a pedido do Estado, indica que a fatia pode chegar a quase 38% no fim deste ano. Em valores, são quase R$ 90 bilhões. Santacreu espera que os bancos privados coloquem no mercado mais R$ 74 bilhões. Há um detalhe a observar nesses números: embora a parcela do crédito privado seja maior que o público (42,8% ante 36,3% em dezembro), os bancos comandados pelo governo devem despejar mais dinheiro na economia este ano do que as instituições privadas. Para analistas, é natural que, em meio à mais grave crise global desde os anos 30, que praticamente congelou o mercado de crédito, o Estado ajude, extraordinariamente, empresas e pessoas físicas a obter empréstimos. Uma ação elogiada pelos especialistas nesse âmbito é o uso das reservas internacionais para financiar o comércio exterior - anunciado quinta-feira pelo Banco Central (BC). O problema é que o governo deixou claro, tanto em discursos públicos quanto nos bastidores, que fará de tudo para estimular a economia em 2009 por meio da expansão de empréstimos. Se já não bastasse isso, colocou o BB e a Caixa na linha de frente da batalha pela redução de juros e spread (diferença entre a taxa de juro pela qual o dinheiro é captado e a cobrada no empréstimo).As autoridades acreditam que tal movimento induzirá os bancos privados a seguir o mesmo caminho. No entanto, segundo analistas, a tática traz riscos nada desprezíveis para a saúde das instituições envolvidas (BB, Caixa e BNDES) e, por extensão, para o bolso do contribuinte, que pode ter de arcar com eventuais prejuízos que estourem lá na frente.Uma prova de que o mercado não está gostando da atuação arrojada dos bancos públicos é o comportamento das ações do BB na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - Caixa e BNDES não têm capital aberto na Bolsa. Nos últimos 12 meses, os papéis ordinários do BB despencaram 46%, ante queda de 11% das ações preferenciais do Itaú, 24% das preferenciais do Bradesco e 31% das units do Unibanco. "Há uma percepção entre os agentes de que o BB sofre ingerência política", disse o analista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho & Associados. O chefe de pesquisa de mercados emergentes do Barclays Capital, Rogerio Oliveira, critica a atitude do governo em relação aos bancos federais. "Foi importante a Caixa e o BB fomentarem o mercado de crédito no ápice da crise de crédito, mas agora preocupa."O ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Roberto Troster é outro que alerta para o mau uso dos bancos públicos. "Tudo bem que ocupem o espaço do setor privado quando este deixa de emprestar, mas todos sabemos o fim da história quando há crescimento indiscriminado (do crédito público)."No passado, tanto o Tesouro Nacional quanto seus pares estaduais tiveram de salvar bancos públicos da bancarrota, o que custou caro ao contribuinte. O argumento de quem discorda do governo é simples. Em um momento de desaceleração econômica e consequente aumento do desemprego, a probabilidade de inadimplência cresce. Os balanços de Bradesco e Santander relativos a 2008, divulgados semana passada, mostram expressiva alta das provisões (reservas) anticalote. Procurado, o BB não quis se pronunciar. O vice-presidente da Caixa, Márcio Percival Alves Pinto, garante que não há risco na estratégia do governo. "Por que é perigoso? Não estamos descuidando da avaliação da qualidade do crédito." O superintendente da área de pesquisa do BNDES, Ernani Teixeira Torres Filho, sugere que o governo "compense" o mercado de crédito quando há escassez como a atual. "Os BCs conseguem evitar a quebra de bancos, mas não destravar o crédito. O fato de o Brasil ter três bancos públicos facilita essa tarefa."

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