Com reação à pandemia, alta dos desembolsos do BNDES no 2º trimestre é a maior desde 2013

Com reação à pandemia, alta dos desembolsos do BNDES no 2º trimestre é a maior desde 2013

Volume total de financiamentos chegou a R$ 17,6 bilhões, com aumento de 61% em relação ao mesmo período do ano passado

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 16h39

RIO - Chamado a atuar para mitigar o efeito da crise causada pela pandemia de covid-19 sobre as empresas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou no segundo trimestre a maior expansão de crédito desde 2013. Foi a terceira maior alta de um trimestre ante o igual período do ano anterior, na série histórica iniciada em 1995. O recorde foi registrado em 2009, quando aportes bilionários do Tesouro Nacional deram musculatura para a instituição de fomento atuar na recuperação da crise financeira internacional agravada em setembro de 2008.

Os desembolsos do BNDES para financiamentos ficaram em R$ 17,658 bilhões, alta de 61,6% ante igual período de 2019, já descontado o efeito da inflação. No primeiro trimestre, a mesma base de comparação apontou um tombo de 44,3% nos valores liberados, conforme dados divulgados nesta sexta-feira, 14, pelo banco de fomento, junto dos resultados financeiros.

Embora tenha registrado altas pontuais no quarto trimestre de 2018 e no primeiro trimestre de 2019, a trajetória dos desembolsos do BNDES tem sido de queda desde 2014. No ano passado, o banco liberou R$ 55,314 bilhões, o menor valor desde 1996, já descontada a inflação. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), os desembolsos ficaram em 0,76%, menor nível da série histórica do BNDES, iniciada em 1995.

Na comparação dos desembolsos trimestrais com iguais períodos de anos anteriores, sempre corrigindo pela inflação, a alta de 61,6% foi a maior desde o segundo trimestre de 2013, quando houve avanço de 66,0% em relação ao segundo trimestre de 2012. O recorde nessa base de comparação fica com o terceiro trimestre de 2009. Naquele período, quando a expansão do BNDES turbinava a rápida recuperação da economia após a recessão do fim de 2008 ao início de 2009, a alta em relação ao terceiro trimestre de 2008 foi de 133,8%. Os desembolsos do BNDES fechariam 2009 com salto de 39,8%, para R$ 260 bilhões, pavimentando o caminho para os R$ 296 bilhões liberados em 2010, recorde na história do banco de fomento.

Ao apresentar os resultados financeiros do segundo trimestre, a diretora financeira do BNDES, Bianca Nasser, associou o crescimento nos desembolsos às linhas de crédito emergenciais. O banco informou que as contratações de novos empréstimos também subiram fortemente, somando R$ 20,7 bilhões no segundo trimestre, alta de 129% ante o mesmo período de 2019, sem descontar a inflação.

Segundo Bianca, não só os desembolsos, mas os valores de aprovações e consultas a novos empréstimos cresceram no acumulado em 12 meses até junho. “A partir do início deste ano, essa curva começou a apresentar crescimento em todas essas rubricas, tanto consultas, quanto aprovações e desembolsos”, afirmou a diretora.

A executiva chamou atenção, porém, para a composição dessas contratações, priorizando o financiamento a projetos de infraestrutura e para empresas de menor porte, focos do novo posicionamento do BNDES, menor e com menos subsídios. Os dados mostram R$ 11,2 bilhões em novos financiamentos contratados para a infraestrutura, 88% acima de igual período de 2019, de novo sem descontar a inflação.

Por outro lado, a alta nos empréstimos não impediu que o BNDES registrasse prejuízo contábil de R$ 582 milhões no segundo trimestre, por causa de ajustes no valor da carteira de participações acionárias em grandes companhias e do aumento nas provisões para o risco de crédito – o valor que os bancos são obrigados a separar em seus balanços financeiros para fazer frente a eventuais calotes, mesmo que a inadimplência dos clientes não se concretize de fato. Com isso, no primeiro semestre, o banco registrou lucro líquido de R$ 5 bilhões.

A diretora financeira do BNDES minimizou o prejuízo financeiro. Nos dados do banco, o resultado recorrente, que exclui a volatilidade da carteira de renda variável e a provisão para risco de crédito, foi de R$ 1,32 bilhão no segundo trimestre.

Os executivos do BNDES chamaram a atenção para as receitas do banco com a venda das ações de grandes companhias que fazem parte de sua carteira. O banco teve receita de R$ 33,7 bilhões com vendas neste ano, até o início deste mês, com destaque para a megaoferta de R$ 22 bilhões em papéis da Petrobrás e a venda em bloco de R$ 8,1 bilhões em ações da mineradora Vale.

Nas demonstrações de resultados do segundo trimestre, a carteira de participações societárias foi avaliada em R$ 77,3 bilhões, queda de 32,4% no primeiro semestre, puxada tanto por vendas quanto desvalorização. Por valor de mercado, a carteira terminou o segundo trimestre em R$ 81,1 bilhões, segundo a diretora financeira, Bianca Nasser. Esse valor cai a R$ 78,3 bilhões pelas cotações de 12 de agosto, já considerando as vendas de R$ 8,1 bilhões em ações da Vale e de R$ 1,2 bilhão em papéis da AES Tietê.

O diretor de Privatizações do BNDES, Leonardo Cabral, afirmou que o banco “não tem pressa” para seguir a estratégia de reduzir sua carteira de participações societárias. “Não temos pressa nos desinvestimentos. Nossa meta de redução vai até o fim de 2022”, afirmou Cabral, durante entrevista coletiva por teleconferência para comentar os resultados financeiros do segundo trimestre. Segundo o executivo, o BNDES voltará a vender “no momento correto” e “na forma correta”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.