Com reajuste de combustível, Fipe eleva previsão de inflação

A previsão da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para a inflação em setembro subiu de 0,25% na semana passada para uma taxa próxima de 0,45%, segundo informou hoje o coordenador do Índice, Paulo Picchetti. A nova previsão precisará ainda, segundo ele, de alguns ajustes, porque ela considera os impactos diretos e indiretos do reajuste dos combustíveis, anunciado na última sexta-feira pela Petrobras. A estatal autorizou para as refinarias um aumento de 10% para o preço da gasolina e de 12% para o diesel. No entanto, as projeções de repasse para o consumidor ainda não reúnem um consenso. Alguns especialistas prevêem reajuste na bomba de 5% na média, enquanto outros trabalham com taxas maiores. Picchetti explicou que a Fipe inclui nas suas projeções, além dos efeitos diretos, os indiretos, e que no caso do diesel, o impacto direto é maior que o da gasolina e também mais prolongado, por causa da defasagem temporal. "Por isso, os aumentos com os quais trabalho agora vão até o final do ano", disse o coordenador. Pelos seus cálculos, se o repasse para o consumidor foi integral, o impacto no IPC-Fipe será de 0,64 ponto porcentual até o final do ano. Se na média ficar em 5%, a pressão será de 0,32 ponto porcentual. "Teria de fazer novas contas porque, como um terço do mês já havia passado quando o aumento dos combustíveis foi autorizado, o impacto sobre a inflação se prolongará um pouco mais", disse. Defasagem de preços Quanto às alegações de especialistas, de que o reajuste promovido pela Petrobras não encobre totalmente a defasagem dos preços dos combustíveis no mercado externo, o que poderia levar a Petrobras a promover novo aumento, Picchetti explicou que o mais importante seria não deixar que os combustíveis contaminassem a inflação do próximo ano. De acordo com ele, a história do ano passado está se reproduzindo agora em 2005. "Foi a mesma conversa no ano passado, e em dezembro tivemos outro aumento de combustíveis", afirmou Picchetti, para quem o ideal seria que a Petrobras já tivesse eliminado toda a defasagem no reajuste que fez na semana passada nos preços dos combustíveis. Mesmo elevando sua projeção de inflação para o mês de setembro, a Fipe mantém a expectativa de uma inflação em torno de 5% para o fechamento do ano.

Agencia Estado,

12 Setembro 2005 | 13h10

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