Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Com repatriação, US$ 8,8 bi entraram no País em outubro

Números do Banco Central ainda não contabilizam o dia 31, fim do prazo para adesão ao programa do governo

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2016 | 21h05

BRASÍLIA - Os últimos dias para adesão de contribuintes à Lei de Repatriação deram espaço para uma verdadeira enxurrada de dólares para o Brasil. Somente na semana passada, conforme dados divulgados pelo Banco Central, US$ 6,26 bilhões líquidos entraram no País, mais de quatro vezes o que havia sido registrado uma semana antes.

Com isso, o mês de outubro contabiliza até agora um fluxo positivo de US$ 8,8 bilhões, sendo que o dia 31 – data limite para adesão ao programa – ainda não entrou nas estatísticas.

O fenômeno ocorreu porque, para poder regularizar o dinheiro que está no exterior, os contribuintes precisavam pagar multa de 15% sobre o montante mantido no exterior e Imposto de Renda (IR) de 15% para a Receita Federal. Muitos decidiram utilizar parte dos recursos que estava lá fora para cumprir as obrigações e, em função disso, trouxeram os dólares para o Brasil.

O canal financeiro do fluxo – que registra uma série de operações, entre elas as ligadas ao processo de repatriação – somou entrada líquida de US$ 5,46 bilhões na semana passada. Pela área comercial, que contabiliza exportações menos importações, o País recebeu apenas US$ 797 milhões.

Balanço. Na terça-feira, o Banco Central informou que a repatriação havia permitido o ingresso de US$ 10 bilhões no País. Boa parte disso entrou na semana passada, mas é de se esperar que no último dia 31 o fluxo ainda tenha seguido positivo, com contribuintes aproveitando o fim da janela de adesão.

“Ainda que a própria cotação do dólar em relação ao real já tivesse antecipado esse aumento de fluxo de dólares para o País, ele acabou ocorrendo na última semana. No entanto, o volume não é tão expressivo assim”, ponderou o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria. “Se olharmos o fluxo financeiro da última semana, de US$ 5,46 bilhões, ele não justifica toda a apreciação cambial (baixa do dólar ante o real) que se viu nos últimos meses”, acrescentou o economista.

Ainda assim, a enxurrada mais recente de dólares melhorou o perfil do fluxo no ano como um todo.

No ano, até setembro, o País amargava uma saída líquida de US$ 15,8 bilhões, considerando as contas financeira e comercial. Com o movimento da repatriação em outubro, o fluxo de saída acumulado no ano baixou para US$ 6,97 bilhões. Isso é resultado de saídas líquidas de US$ 42,5 bilhões pelo canal financeiro e entradas de US$ 35,6 bilhões pela via comercial.

Até o fim do ano, mesmo com o fim do processo de adesão à repatriação, a expectativa é de que o fluxo para o País seja um pouco mais positivo. “Em termos de investimento, imaginamos uma melhora daqui em diante, em função da melhora institucional que vemos nos últimos meses, desde a troca de governo no Brasil”, afirma Lavieri. “Tudo isso tende a atrair mais capital.”

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