Com restrições, venda de celulares sobe só 0,11% em julho

Proibição de vendas no final do mês teve reflexo no desempenho do setor, o pior desde que a Anatel iniciou o levantamento

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h06

Com um saldo de apenas 279,72 mil novas habilitações de chips de celulares e internet móvel em julho, as operadoras de telefonia e internet móvel registraram o pior desempenho para o mês desde 2000, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) começou a fazer esse tipo de levantamento. Em julho do ano passado, por exemplo, nada menos que 3 milhões de novas linhas entraram em funcionamento. Em relação a junho deste ano, o crescimento no mês foi de apenas 0,11%.

O fraco resultado coincidiu com a decisão da Anatel de proibir as vendas de novas linhas de TIM, Claro e Oi nos Estados onde as companhias lideram o ranking de piores serviços prestados. A suspensão ocorreu entre os dias 23 de julho e 2 de agosto.

Para Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, o saldo reduzido não chegou a ser uma surpresa, porque o setor vinha apresentando um arrefecimento desde maio nos balanços mensais divulgados pela Anatel. "O mercado já estava em uma trajetória descendente nos últimos três meses, com resultados inferiores aos crescimentos verificados no ano passado", disse.

Ainda assim, destacou Tude, o impacto da medida do órgão regulador nos últimos oito dias de julho ajudou a derrubar ainda mais o saldo de novas habilitações no mês. "Embora apenas uma operadora tenha sido suspensa em cada Estado, os consumidores preferiram adiar novas aquisições até que a situação fosse resolvida", completou.

Reversão. O presidente da empresa de consultoria acredita que a influência da proibição de vendas por 11 dias deve ser revertida rapidamente, ainda em agosto. "Nossa estimativa é de que TIM, por exemplo, tenha deixado de vender cerca de 500 mil linhas, o que é pouco no universo de 68,7 milhões de chips da companhia", disse Tude.

Para ele, a principal razão para a queda no saldo de novas habilitações não é a redução das compras de novos chips, mas sim o aumento do desligamento de linhas antigas. "As empresas não estão vendendo menos. Na realidade são os usuários que estão migrando mais de uma operadora para outra, ao invés de acumularem vários chips", concluiu.

O total de linhas móveis em funcionamento no País chegou a 256,41 milhões em julho, de acordo com dados da Anatel. Com isso, a chamada teledensidade brasileira - número de linhas por habitante - alcançou a marca de 130,49 linhas móveis para cada 100 habitantes.

O balanço mostra ainda que, do total de linhas móveis habilitadas no País, 53,95 milhões são conexões de internet móvel 3G. As linhas pré-pagas representam 81,49% do total, com 208,95 milhões de chips habilitados, enquanto os planos pós-pagos são apenas 18,51% do mercado, com 47,46 milhões.

Ranking. A Vivo continua líder no mercado brasileiro, com 29,71% de participação, seguida pela TIM, com 26,78%, a Claro, com 24,6%, e a Oi, com 18,59%. A novidade do balanço de julho foi a aparição da primeira operadora autorizada de rede virtual - que oferece o serviço por meio das redes de outra operadora. A Portoseguro já conta com 2 mil linhas habilitadas.

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