Com retração do PIB, indústria já revê previsão de crescimento

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai rever hoje a projeção de crescimento do Nível de Atividade da Indústria Paulista (INA) e do PIB nacional e anuncia amanhã, na coletiva do INA de outubro, os novos números. A projeção inicial da entidade era de crescimento entre 3% e 3,5% em 2005, mas cairá para menos de 3%, segundo o diretor do Departamento de Economia da entidade, Paulo Francini. De acordo com o diretor da Fiesp, o PIB do terceiro trimestre mostra um quadro que há meses vinha sendo desenhado pela indústria paulista: "nós avisamos que o ambiente hostil para a produção, resultante da política econômica, ia afetar o crescimento. Agora, vemos o quadro pronto." A entidade não se surpreendeu com o recuo do PIB, mas destacou que a retração econômica é "motivo de muita tristeza". Na avaliação de Francini, a visão de alguns analistas de que o recuo do PIB está ligado à crise política não procede. Ele acredita que esse discurso é utilizado pelos economistas perfilados com a política adotada pelo Banco Central, de juros altos, para justificar a manutenção da política econômica. Mais revisões pessimistas O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado federal Armando Monteiro Neto (PTB-PE), também já prepara sua revisão para baixo na projeção de crescimento da economia para este ano. A CNI estimava em setembro uma expansão de 3,5% na economia brasileira e ainda não tem uma nova projeção para o ano. Para Monteiro, o desempenho do PIB abaixo das piores expectativas do mercado e também pior do que esperava o setor produtivo foi decorrência dos juros altos. O presidente da CNI espera que haja uma recuperação da economia no quarto trimestre, mas não será capaz de compensar a perda de julho a setembro. "Isso significa que o Brasil terá mais um ano de baixo crescimento, o que é lamentável", afirmou. Ciesp destaca queda nos investimentos públicos O presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Claudio Vaz, disse que a queda do PIB foi um "choque". "Os empresários já esperavam queda por conta da política econômica, mas o recuo foi muito além do que as mais pessimistas projeções (-0,7%) indicavam", afirmou. Vaz ainda acredita que, "com muito esforço", será possível o PIB crescer 3% neste ano. Além de juros e câmbio, uma dupla cujos efeitos são denunciados pelos empresários há mais de ano, um outro vilão para o recuo do PIB é a queda nos investimentos públicos. "Já é pouco, e o que tem não está sendo gasto", ressaltou o empresário. Ele afirma que outro fator de impacto positivo na economia, o crédito consignado em folha de pagamento também dá sinais de esgotamento e não deve contribuir para o crescimento nos próximos meses. De qualquer forma, a expectativa para este quarto trimestre é de melhora em relação ao trimestre anterior. Trata-se de uma avaliação ligada muito mais à sazonalidade do período, com injeção dos recursos do 13º , do que a melhoras no cenário econômico. "A atividade é sempre maior no quarto trimestre, não necessariamente na indústria, mas no comércio e nos serviços", ressaltou.

Agencia Estado,

30 Novembro 2005 | 13h05

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