Com retração no varejo e na indústria, receita de serviços tem o menor crescimento desde 2012

A receita bruta nominal do setor de serviços subiu 5,7% em junho, o mais baixo porcentual desde 2012; Copa impediu freada maior no setor, diz IBGE

Daniela Amorim, Agência Estado

19 de agosto de 2014 | 10h37

RIO - A receita bruta nominal do setor de serviços subiu 5,7% em junho, ante igual mês de 2013, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o menor crescimento da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em janeiro de 2012. Em maio, o aumento tinha sido de 6,6%.

A receita bruta do setor acumula alta de 7,4% no ano. Em 12 meses até junho, a taxa acumulada ficou em 8,0%, também a menor da série histórica.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) passou a ser divulgada em agosto do ano passado. A pesquisa produz índices nominais de receita bruta, desagregados por atividades e com detalhes para alguns Estados, divididos em três tipos principais: o índice do mês frente a igual mês do ano anterior; o índice acumulado no ano; e o índice acumulado em 12 meses.

Ainda não há divulgação de dados com ajuste sazonal (mês contra mês imediatamente anterior), pois, segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos.

Retração nas vendas. A retração nas vendas do varejo e na produção industrial está diminuindo a demanda por serviços no País, segundo Roberto Saldanha, técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. "A indústria e o comércio vêm apresentando variações negativas. Isso tudo afeta o setor de serviços, porque são eles os principais demandantes de serviços. O setor de serviços atua em complementaridade a outros setores. Então, na medida em que outros setores apresentam desaquecimento, desaceleração, o setor de serviços acompanha essa tendência", explicou.

Embora a Copa do Mundo tenha induzido a um freio maior no mês, o setor mostra perda de fôlego desde a passagem de fevereiro para março, quando o ritmo de crescimento diminuiu de 10,1% para 6,8%. "Na medida em que ocorrer uma retomada desses segmentos (indústria e varejo), isso vai aquecer essa demanda (por serviços) também", avaliou Saldanha. 

Copa. A realização da Copa do Mundo impactou diretamente o resultado do setor de serviços em junho, segundo o IBGE. Alguns setores foram beneficiados, como alojamento, alimentação e audiovisual. No entanto, o grande número de feriados atrapalhou as demais atividades, que levaram a uma forte desaceleração na receita nominal do setor. O crescimento saiu de 6,6% em maio para 5,7% em junho, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

"A Copa do Mundo beneficiou alguns setores e para outros não trouxe grandes benefícios. Por quê? Por causa do grande número de feriados. Isso trouxe certo desaquecimento", apontou Saldanha. Os serviços prestados às famílias registraram crescimento de 11,2% em junho, sustentados pelo subgrupo serviços de alojamento e alimentação (12,1%). Já o subgrupo outros serviços prestados às famílias - que inclui atividades artísticas, recreativas, esportivas etc. - aumentou apenas 5,4% no mês, contra uma alta de 10,1% em maio.

"Outros serviços prestados às famílias tiveram desaceleração, mas porque começaram a ser contratados meses antes da Copa do Mundo. Esses serviços cresceram bastante em abril e maio. O maior impacto do 'Efeito Copa' se fez sentir dois meses antes do evento", disse Saldanha.

Os serviços de informação e comunicação tiveram alta de 5,7% em junho. O subgrupo de tecnologia da informação e comunicação, com crescimento de apenas 3,0%, compensou o salto de 22,8% registrado pelo subgrupo de serviços audiovisuais, edição e agências de notícias.

"Houve benefício da Copa a setores ligados diretamente ao evento, como alojamento, alimentação, serviços audiovisuais, com a cobertura e transmissão dos jogos", lembrou o técnico do IBGE.

Já os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram aumento de 7,3% em junho, enquanto Outros serviços aumentaram apenas 1,2%. Saldanha explica que o grupo Outros serviços engloba atividades que sofreram perdas com os dias não trabalhados durante a Copa, como atividades imobiliárias e financeiras. "Só o volume negociado na Bovespa teve queda de 34,6% em junho, em relação a junho do ano passado", ressaltou o pesquisador.

O grupo de Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio tiveram expansão de 4,6% em junho, devido ao fraco desempenho do transporte terrestre (alta de 2,6%, ante crescimento de 7% em maio) e transporte aéreo (4,5%, ante 16,5% em maio). "O transporte de cargas teve forte desaceleração, e também o transporte aéreo, por causa da queda no ritmo de negócios. Toda a parte (de serviços) ligada a empresas houve paralisação", disse ele.

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