Ernesto Rodrigues/ Estadão
Ernesto Rodrigues/ Estadão

Com revisão de dados, balança comercial, antes deficitária, passa a ter superávit em novembro

De acordo com o governo, erro aconteceu no cálculo das exportações que, antes da revisão, estavam em US$ 9,681 bilhões; agora, elas passaram a ser de US$ 13,498 bilhões na parcial de novembro

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2019 | 18h12

BRASÍLIA - O Ministério da Economia informou nesta quinta-feira, 28, que o saldo da balança comercial no acumulado de novembro, antes deficitário em US$ 1,099 bilhão, estava errado e que, na realidade, foi registrado um superávit de US$ 2,717 bilhões. O período computado foi até o dia 24 deste mês.

De acordo com o governo, o erro aconteceu no cálculo das exportações que, antes da revisão, estavam em US$ 9,681 bilhões. Com a mudança, elas passaram a ser de US$ 13,498 bilhões na parcial de novembro. As importações não foram alteradas, e permaneceram em US$ 10,781 bilhões.

Com a mudança do resultado das exportações de novembro, também foi alterado o saldo comercial informado para o acumulado de todo ano de 2019. No início dessa semana, o governo havia informado que a balança comercial registrou superávit de US$ 33,822 bilhões nesse período.

Nesta quinta-feira, o valor do saldo positivo foi alterado, e passou a ser de US$ 37,638 bilhões. Mesmo assim, foi registrada uma queda no superávit de 26% frente ao mesmo período do ano passado (+US$ 50,903 bilhões).

'Evento não usual'

Em nota, o Ministério da Economia informou que as informações semanais são "preliminares" e passam por "revisões naturais ao longo das semanas".

E acrescentou: "Embora a atualização dos dados seja um procedimento normal, a magnitude da alteração das informações divulgadas em novembro foi ocasionada por um evento não usual".

Alta do dólar

A revisão das estatísticas da balança comercial acontecem em um momento de alta do dólar. Nesta semana, a moeda norte-americana tem operado pressionada, o que tem gerado intervenções por parte do Banco Central, vendendo divisas.

Nesta quinta-feira, o dólar opera em queda, após ter renovado na véspera recorde nominal de fechamento pelo terceiro dia seguido, em um dia de movimento mais tranquilo por causa do feriado que fecha as bolsas americanas, e após o Banco Central leiloar US$ 1 bilhão no mercado à vista.

A piora no resultado da balança comercial, e seu impacto nas contas externas, é um dos fatores apontados por analistas para a alta da moeda norte-americana. Na parcial até outubro, devido aos fracos resultados da balança comercial, as contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 45,657 bilhões.

O aumento no rombo foi de 41% na comparação com o mesmo período de 2018, quando foi registrado um resultado negativo de US$ 32,372 bilhões. O resultado parcial de 2019 já superou o déficit registrado em todo ano passado, de US$ 41,540 bilhões. É o pior resultado para os dez primeiros meses do ano desde 2015 – quando somou US$ 52,133 bilhões.

 

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