Lee Jin-man/AP Photo
Lee Jin-man/AP Photo

Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mercados internacionais fecham em queda com risco de nova onda de infecções por covid-19

Aumento de casos de infecção por covid-19, principalmente na Europa e nos EUA, justifica a aversão por ativos considerados mais arriscados, como as ações

Sergio Caldas e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 16 de outubro de 2020 | 00h13

As bolsas da ÁsiaEuropa e Nova York fecharam em baixa nesta quinta-feira, 15, algumas com forte recuo, diante do impasse em torno de um novo pacote fiscal nos Estados Unidos e também com os olhos atentos ao avanço do coronavírus no velho continente, com alguns dos países da região voltando a tomar medidas mais duras. Incertezas geradas pelo Brexit também prejudicaram o desempenho dos mercados.

Na última quarta-feira, 14, o Secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, voltou a causar tensão no mercado, ao dizer que será difícil aprovar novos estímulos fiscais antes da eleição presidencial de 3 de novembro. Mnuchin ressaltou, porém, que foi orientado pelo presidente Donald Trump a continuar negociando com a oposição democrata. Ja nesta quinta, a presidente distrital de São Francisco do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Mary Daly declarou que a falta de um pacote fiscal afetará negativamente as projeções para a economia americana, que já enfrenta revezes.

O aumento de casos de infecção pelo coronavírus, principalmente na Europa e nos EUA, também justifica a aversão por ativos considerados mais arriscados, como as ações. França e Portugal anunciaram na quarta medidas de restrição para tentar conter a propagação da doença, enquanto a Alemanha também considera endurecer as medidas de isolamento e o Reino Unido é cobrado para impor bloqueios mais duros. Apenas na quarta, França e Alemanha registraram 20 mil e 6,6 mil novos casos da doença.

Bolsas da Ásia 

Na China, dados publicados durante a madrugada mostraram que a taxa anual de inflação ao consumidor desacelerou de 2,4% em agosto para 1,7% em setembro. Já a queda anual dos preços ao produtor na segunda maior economia do mundo se aprofundou um pouco no mesmo período, de 2% para 2,1%. Por lá, os índices chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto cederam 0,26% e 0,70% cada.

Em outras partes do continente, o índice japonês Nikkei caiu 0,51%, enquanto o Hang Seng teve queda mais expressiva em Hong Kong, de 2,06%, pressionado por ações de tecnologia. Já o sul-coreano Kospi cedeu 0,81% nesta quinta, em sua terceira sessão consecutiva de perdas e o Taiex recuou 0,71% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana ignorou o tom negativo da Ásia e ficou no azul, com alta de 0,50% apoiada pelo setor de energia, que se valorizou 2,5%.

Bolsas da Europa 

Na Europa, além do coronavírus, chama a atenção o impasse em torno do Brexit. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson havia estabelecido esta quinta como o prazo máximo para a definição de um acordo comercial com a União Europeia, para um rompimento brusco nas relações econômicas entre os blocos. No entanto, com a falta de um anúncio, a expectativa é que o prazo seja adiado. 

O tema deve ser o principal assunto da cúpula de líderes da UE, que ocorre hoje e amanhã em Bruxelas. Consequentemente, um novo prazo pode ser anunciado apenas no final da reunião. "Achamos que Johnson se afundou num buraco político profundo e provavelmente está ansioso para ter uma vitória de alguma maneira", avalia o BBH, em relatório.  

Com as incertezas econômicas e atentos ao vírus, os principais índices da região encerraram em baixa, a começar pelo Stoxx 600, que teve queda de 2,08%. A bolsa de Londres recuou 1,73%, a de Paris caiu 2,11% e a de Frankfurt teve perda de 2,49%. Milão, Madri e Lisboa tiveram perdas de 2,77%, 1,44% e 2,45%.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York diminuíram as perdas no final da tarde, mas acabaram por fechar no vermelho pela terceira vez seguida nesta quinta, também com o sentimento de aversão aos riscos vindos dos mercados europeus e asiáticos. Por lá, Dow JonesS&P 500 Nasdaq fecharam em baixas de 0,06%, 0,15% e 0,47% cada.

Ajudaram a diminuir as perdas, a alta dos papéis do setor financeiro: Bank of America subiu 2,24% e JPMorgan avançou 1,50%. Já entre as companhias que divulgaram balanço hoje, o banco Morgan Stanley subiu 1,34%. No setor de tecnologia, por outro lado, os papéis da Apple recuaram 0,40% e os da Amazon cederam 0,75%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda hoje, em uma sessão marcada pela aversão ao risco e o fortalecimento do dólar, em meio ao noticiário sobre a segunda onda da covid-19 Europa. As perdas, no entanto, foram contidas pela informação de que os estoques da commodity tiveram forte queda nos Estados Unidos na semana passada.

Hoje, o Departamento de Energia (DoE) americano, informou que os estoques da commodity no país caíram 3,818 milhões de barris, a 489,109 milhões de barris, na semana encerrada em 9 de outubro. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam queda menor, de 1,9 milhão de barris. Em resposta, o WTI com entrega prevista para novembro encerrou em baixa de 0,19%, a US$ 40,96, enquanto o Brent para dezembro cedeu 0,37%, a US$ 43,16.

No entanto, algumas preocupações continuam no radar. Nesta quinta, reportagem da Bloomberg revelou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, junto com aliados (Opep+), conseguiu pouco progresso em setembro para compensar o excesso de produção em meses anteriores, de acordo com dados obtidos com fontes do cartel. A Opep+ tem ainda de fazer cortes de 2,33 milhões de barris por dia para compensar o excesso de oferta anterior, de 2,38 milhões de barris por dia um mês atrás, no âmbito do acordo fechado pelas nações envolvidas para reduzir a produção e apoiar os preços./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.