Com ritmo fraco da economia, estoque de crédito cresce apenas 0,2% em julho

'Paradeira' registrada no mercado de empréstimos e financiamentos explica pacote de R$ 25 bilhões anunciado na última semana; governo teme por ritmo fraco da atividade econômica e recessão

Gustavo Santos Ferreira, Economia & Negócios

26 de agosto de 2014 | 10h41

O estoque total de crédito no Brasil subiu 0,2% em julho sobre aos dados de junho, informou o Banco Central nesta terça-feira, 23. O volume alcançado no mês, de  R$ 2,835 trilhões, equivale a 56,1% do PIB do País (ou seja, em relação a quantia em que está avaliada a produção de bens e serviços da economia brasileira).

De acordo com a autoridade monetária, a estabilidade dos dados de julho pode ser explicada pelos "comportamentos distintos entre as operações com recursos livres e direcionados". De um lado, o crédito direcionado imobiliário às famílias e empresas avançou 2,1%. De outro, demais tipos de financiamento recuaram 0,5% em julho ante junho.

Essa situação de "paradeira" do crédito preocupa o governo, por coincidir com a "paradeira" da economia. Será divulgado nesta sexta-feira, 28, o avanço do PIB do Brasil no segundo trimestre. Caso as previsões pessimistas do mercado sejam concretizadas, e, portanto, tenha havido nova retração nos últimos três meses, o Brasil estará tecnicamente em recessão.

O consumo, há anos, tem sido o motor da economia do País. Por isso, foram anunciadas, no último dia 20, algumas medidas para tentar movimentar o mercado de crédito no País. O plano, da ordem de R$ 25 bilhões, tenta acabar com a estagnação da procura por empréstimos e financiamentos e evitar esse potencial estágio de recessão da economia. 

 

Joga contra essa ideia de movimentar a atividade econômica brasileira com estímulos a empréstimos e financiamentos, no entanto, o atual índice de endividamento dos brasileiros. Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o porcentual de famílias com dívidas passou de 63% em julho para 63,6% este mês

Dados do Banco Central, há alguns meses desatualizados, mostram que, na média, a renda das famílias brasileiras está comprometida em 46%. Há 10 anos, época em que o Brasil iniciou forte processo de crescimento, o endividamento era bem inferior, de 18% da renda. Esses dois fatores simultâneos, aumento rápido do endividamento e dificuldade constante crescer, sinalizam esgotamento do modelo de crescer via consumo. 

Ao menos a inadimplência se manteve praticamente estável entre junho e julho, calcula o Banco Central. No mês passado, a taxa do setor de recursos livres ficou em 4,9% - em junho, foi de 4,8%. (Com Reuters)

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