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Com saída da Petrobrás, Bolívia quer resolver escassez de diesel

O governo boliviano espera resolver os problemas de escassez de diesel no país ao assumir a área de distribuição de combustíveis, atualmente nas mãos de sete empresas privadas. Ontem, a Petrobrás confirmou que vai abandonar seus negócios neste segmento, em cumprimento à nova lei dos hidrocarbonetos (gás e petróleo) daquele país, promulgada em maio do ano passado. A partir de 1º de julho, segundo a lei, a estatal local YPFB será a única distribuidora de combustíveis em território boliviano.Repetidamente, representantes do governo boliviano vêm culpando as companhias privadas de responsabilidade pela falta de diesel que aflige o País, principalmente na região de La Paz. "Eu creio que há um boicote das petroleiras neste momento de reconstrução nacional", disse anteontem o vice-ministro dos hidrocarbonetos da Bolívia, Julio Gómez Menacho, segundo a Agência Boliviana de Informações. La Paz acusa as companhias de reduzir as importações de diesel para desestabilizar o governo Evo Morales.As petroleiras, por outro lado, reclamam que não vêm recebendo os subsídios prometidos para que mantenham os preços internos abaixo das cotações internacionais. A transferência dos negócios para a YPFB acaba com esse impasse, já que a estatal boliviana poderá subsidiar os preços sem repasses do Tesouro Nacional. Em nota oficial, a Petrobrás afirma que vai garantir, até o dia 30 de junho, o abastecimento de combustíveis nas regiões em que tem concessão. Depois, pode abrir mão dos postos de gasolina que tem no país, uma vez que não vale à pena atuar na revenda sem participar da distribuição. CenárioEm princípio, a legislação boliviana previa que o mercado de distribuição seria liberado em julho de 2006, cinco anos após o início das concessões. A nova lei dos hidrocarbonetos, porém, mudou os rumoms, conferindo à YPFB exclusividade no segmento. Além da Petrobrás, distribuem combustíveis na Bolívia as empresas Shell, Copenac, Pisco, Refipet, Pexim e Dispetrol. A estatal boliviana já anunciou que vai voltar a investir em sua rede de postos, abandonada desde a privatização do setor.Além disso, Bolívia e Venezuela criaram no mês passado a Petroandina, companhia que vai atuar na revenda de combustíveis em solo boliviano. A idéia é montar uma rede de postos com serviços diversos, como troca de óleo, para ocupar o lugar das companhias privadas que terão de deixar o país. Na prática, o governo da Venezuela vai ajudar financeiramente a YPFB a remodelar o segmento de varejo de combustíveis no país vizinho.A Venezuela se comprometeu ainda a fornecer diesel a preços de ocasião para evitar um colapso no sistema de transportes boliviano, que atualmente compra no mercado externo cerca de 40% de seu consumo do combustível. Os recursos da venda de diesel venezuelano serão destinados a um fundo para fomentar a pequena produção agrícola na Bolívia.

Agencia Estado,

22 de junho de 2006 | 19h28

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