Com saída de estrangeiros, Bovespa perde quase 3%

Temor com desaceleração da economia mundial leva investidores à venda de papéis na Bolsa

Sueli Campo, da Agência Estado,

11 de agosto de 2008 | 14h25

Desanimados com os seguidos sinais de desacelaração da economia mundial e com a conseqüente queda dos preços das commodities - produtos com cotação definida no exterior, como petróleo e aço - , os investidores voltaram a vender papéis de companhias brasileiras nesta segunda-feira. Com isso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) testava novas mínimas no início da tarde, em baixa de 2,48%, no nível de 55.180 pontos, descolado de Nova York. Veja também:Commodities têm queda recorde e aliviam inflaçãoCom mercado volátil, investidores decidem "tirar férias" da Bolsa Segundo operadores, o que está havendo é uma saída expressiva de investidores estrangeiros, que ganhou impulso no começo da tarde após o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - ter rompido o piso de 55.360 pontos, considerado uma marca forte. "Está havendo um movimento de stop loss (venda de ações) de investidores que compraram ações para o giro diário e não de posições de horizonte mais longo", disse um analista.  O Ibovespa opera na contramão de Wall Street, onde o S&P 500 subia 1,01% no início da tarde; o Dow Jones registrava ganho de 0,73% e o Nasdaq avançava 1,47%. Na Europa, as bolsas fecharam com ganhos significativos. A de Paris subiu 1,04%. Hoje, o euro voltou a ser negociado abaixo de US$ 1,50 e, com isso, os preços do petróleo retomaram a trajetória de queda. O petróleo chegou a subir mais cedo, em reação ao conflito entre Rússia e Geórgia, mas a valorização do dólar acabou dando a direção. "O mercado compra e vende expectativa e, no momento, a expectativa é de desvalorização das commodities, por causa do risco de recessão. Em outros tempos, com esse conflito na Geórgia, o preço do petróleo estaria bombando, mas como o desmonte forte de posições compradas continua não há espaço para isso", avalia um operador.  Commodities em queda A moeda européia tentou se firmar mais cedo, a partir de especulações de que o Banco Central Europeu (BCE) poderia cortar o juro no ano que vem, após o presidente da instituição admitir que a economia européia está desacelerando. Mas investidores voltaram a reagir à perspectiva de redução do crescimento de outras economias, além dos Estados Unidos. O petróleo em queda de quase 2%, negociado no nível de US$ 113 o barril, anima as compras no exterior, enquanto o efeito aqui é oposto. As ações de Petrobras, que hoje no final da tarde, às 17h30, divulga o resultado do segundo trimestre, registravam perdas muito fortes. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) caía 3,12%, cotada a R$ 39,72, e a preferencial (PN, sem direito a voto) cedia 2,98%, a R$ 32,55, às 13h40.  As preocupações com a desaceleração da demanda por commodities está se sobrepondo aos bons fundamentos da companhia. De acordo com a média das estimativas de seis casas consultadas pela Agência Estado, a Petrobras deve apresentar lucro líquido de R$ 7,9 bilhões no segundo trimestre. Se confirmado, o número representará crescimento de 16% ante mesmo período do ano passado e será o segundo maior lucro trimestral da história da Petrobras, ficando atrás somente do recorde de R$ 8,141 bilhões obtido no quarto trimestre de 2005. As ações da Vale estão sendo ainda mais penalizadas. A PNA caía 4,01%, negociada a R$ 34,75, e a ON -4,58%, valendo R$ 39,81, abatidas pelas vendas de estrangeiros, no embalo das desvalorização do metais. Com o declínio do petróleo, o cobre para setembro cedia 0,96% na Comex, enquanto o ouro para dezembro caía 2,42%. As siderúrgicas também apresentam desempenho sofrível. Gerdau PN despencava 6,08% e Metalúrgica Gerdau PN -5,58%. CSN ON perdia 4,97% e Usiminas -4,48%. O pior desempenho do Ibovespa às 14 horas era Light ON, que desabava 6,20% acompanhada de perto por Cesp PNB -5,98% e Copel PNB -5,50%. No caso de Light, a companhia reportou lucro líquido consolidado de R$ 385,3 milhões no segundo trimestre, uma queda de 11,1%. Já Cesp anunciou na sexta lucro líquido de R$ 97,645 milhões no período, uma alta de 108,38% na comparação com o mesmo trimestre de 2007. Do lado positivo estavam Cosan ON, com ganho de 3,90%, seguida por Friboi ON +3,48% e Gol PN +2,27%.

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