Werther Santana/Estadão
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coluna

Fernanda Camargo: O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

Com setor estagnado, confiança do empresário da construção cai pelo quinto mês seguido

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que tempo político das reformas frustrou empresários

Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2019 | 11h48

BRASÍLIA - O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção (ICEI-Construção) apresentou a quinta queda consecutiva em maio. Segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 23, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador chegou a 55,8 pontos ante 56,4 pontos registrados em abril, se aproximando da linha divisória dos 50 pontos, que separa o otimismo do pessimismo. "As previsões de que a economia brasileira crescerá em 2019 em ritmo muito aquém das estimativas iniciais teve novo impacto sobre a confiança do setor da construção", avalia a CNI.

Essa redução da confiança, segundo a entidade, deve-se à percepção de que o ambiente de negócios piorou. Pelo segundo mês consecutivo, o Índice de Condições Atuais mostrou maior pessimismo dos empresários da construção quanto ao presente, caindo de 46,5 pontos para 45,0 pontos. A pesquisa aponta que o indicador foi puxado para baixo pelo índice de condições da economia brasileira, que caiu 2,8 pontos na comparação mensal.

"Houve um certo descompasso entre as expectativas dos empresários e o tempo político das reformas, que estão sendo discutidas ainda", explica Dea Fioravante, economista da CNI, em nota divulgada pela entidade. Segundo ela, são necessários avanços na agenda das reformas e ampliação do crédito para que as empresas do setor recuperem a confiança na economia e demonstrem disposição em investir e assumir riscos. O índice de intenção de investimentos do setor manteve-se praticamente estagnado em maio, em 32,9 pontos ante 32,8 pontos de abril. 

A ociosidade do setor também continua elevada. A utilização da capacidade operacional (UCO) da indústria da construção registrou 56% em abril. Em março, era de 57%. As obras de infraestrutura, destaca a CNI, apresentam ociosidade maior, afetando os resultados agregados do setor uma vez que são obras de grande impacto econômico e financeiro. 

O índice que mede o nível de atividade ficou em 45,8 pontos em abril, ante 44,5 pontos de março - abaixo da linha dos 50 pontos, o que indica queda. 

Com o quadro de incertezas na economia, as expectativas do setor da construção permanecem "congeladas", segundo a pesquisa. "Os empresários estão claramente frustrados e inseguros quanto ao futuro da economia, o que faz com que segurem investimentos e se coloquem em uma conduta de paralisia", destaca a Sondagem.

O índice de expectativa do nível de atividade caiu de 53,6 pontos para 53,2 pontos na comparação de abril para maio. O indicador que mede expectativa para novos empreendimentos e serviços teve queda de 53,2 pontos para 52,2 pontos, na mesma base de comparação. Também houve queda na expectativa em relação a compra de insumos e matérias-primas, de 52,4 pontos para 51,9 pontos. Já o índice que mede a expectativa de contratação de empregados permaneceu estável em 52,1 pontos. 

A Sondagem da Indústria da construção foi feita entre os dias 2 e 13 de maio, com 493 empresas. 

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