Marcelo Camargo/ Agência Brasil
General Joaquim Silva e Luna, que vai assumir o comando da Petrobrás Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Com substituição de Castello Branco, quatro diretores anunciam saída da Petrobrás 

Entre executivos que vão deixar a estatal, dois são da linha de frente: Andrea Almeida (financeira) e Carlos Alberto Oliveira (Exploração e Produção); além deles, André Chiarini (Comercialização e Logística) e Rudimar Lorenzatto (Desenvolvimento da Produção)

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 21h51

RIO - Quatro de um total de 7 diretores da Petrobrás vão deixar a empresa no mês que vem junto com o atual presidente, Roberto Castello Branco. Os executivos informaram ao conselho de administração da companhia, nesta quarta-feira, que não querem compor o time do novo comando da estatal, que passará a ter na liderança o general do Exército Joaquim Silva e Luna

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, o militar vai assumir a cadeira de Castello Branco assim que tiver o nome aprovado pelos acionistas em assembleia geral extraordinária (AGE), marcada para 12 de abril. A indicação do general foi anunciada após dias de severas críticas de Bolsonaro à política de preços dos combustíveis da Petrobrás. 

O episódio culminou na demissão de Castello Branco pelas redes sociais, o que desagradou parte do conselho de administração - quatro membros do colegiado não vão renovar seus mandatos - e da diretoria. 

Entre os executivos que vão deixar a Petrobrás, estão dois da linha de frente da petrolífera: a diretora financeira, Andrea Almeida, e o de Exploração e Produção, Carlos Alberto Oliveira. Andrea fez carreira na mineradora Vale e ingressou na empresa a convite do presidente. Já Oliveira é funcionário de carreira da estatal, tendo ocupado cargos de chefia em diversas gestões, de diferentes governos. 

Além deles, o diretor de Comercialização e Logística, André Chiarini, e o diretor de Desenvolvimento da Produção, Rudimar Lorenzatto, comunicaram que não querem fazer parte do time de Luna. 

"Os diretores executivos informaram não tratar-se de ato de renúncia e que estão comprometidos a cumprir rigorosamente com todos os seus deveres e obrigações até a posse de seus respectivos sucessores", afirmou a Petrobrás, em nota.

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Petrobrás fecha venda de refinaria na Bahia para fundo árabe por US$ 1,65 bi

Venda para o fundo Mubadala foi a primeira, de um total de oito refinarias que entraram na lista de privatização da estatal; para conselheiros, no entanto, valor ficou abaixo do preço de mercado

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 22h05

RIO - O conselho de administração da Petrobrás aprovou nesta quarta-feira, 24, a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, para o Mubadala, fundo de investimento dos Emirados Árabes, que vai pagar US$ 1,65 bilhão pela fábrica de derivados de petróleo, como gasolina e óleo diesel. A estatal calcula que vai receber R$ 9,1 bilhões pelo ativo, considerando o dólar da última terça-feira. Mas esse valor ainda vai ser ajustado quando a transação for concluída, o que deve acontecer até o fim do ano.

Foi a primeira operação de venda, de um total de oito refinarias que entraram na lista de privatização. Instalada no município de São Francisco do Conde, a Rlam responde por 14% de toda produção nacional de derivados de petróleo. A unidade quer expandir a fábrica, de olho no abastecimento do mercado do Nordeste. “Acreditamos que, a partir da conclusão do nosso investimento na Rlam, seremos capazes de atrair parceiros globais de negócios para o setor”, afirmou Oscar Fahlgren, diretor-executivo da Mubadala Capital no Brasil.

A privatização da Rlam é uma vitória do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, que deixa o cargo no mês que vem, após ser criticado e demitido pelo presidente Jair Bolsonaro por conta de sucessivos reajustes de preços. O mandato do executivo terminou há cinco dias, mas ele vai permanecer até a chegada do seu substituto, o general do Exército Joaquim Silva e Luna. Assim, Castello Branco conseguiu dar a largada num projeto idealizado em 2019 – o de ceder espaço da Petrobrás no comércio de combustíveis a investidores privados.

'Intervenções'

O segmento de produção de derivados de petróleo é, hoje, dominado pela Petrobrás, dona de quase a totalidade do parque nacional. Ao se desfazer de refinarias e estimular a entrada de concorrentes, a atual diretoria da petrolífera espera evitar que o governo, sócio majoritário da companhia, interfira nos preços dos combustíveis. A expectativa é de que o Mubadala e possíveis novos investidores cobrem pela gasolina e pelo diesel valor equivalente ao de importação, variáveis conforme às oscilações do dólar e do petróleo.

O desinvestimento da Rlam vai contribuir para “iniciar um processo de redução de riscos de intervenções políticas na precificação de combustíveis”, disse Castello Branco, no comunicado da venda da refinaria. Ele afirmou também que o negócio vai ajudar a empresa a reduzir a dívida e melhorar a alocação de capital.

O projeto de privatizar refinarias surgiu, na verdade em 2018, no governo de Michel Temer. A intenção, inicialmente, era vendê-las em blocos, para agregar ao negócio. Em sua gestão, Castello Branco optou por desmembrar o projeto e as licitações ocorreram separadamente. Em uma delas, a empresa já não teve sucesso – a da Refinaria do Paraná (Repar), porque nenhum dos interessados apresentou um valor que fosse considerado adequado. 

O valor de US$ 1,65 bilhão a ser pago pelo fundo árabe foi alvo de crítica de analistas e chegou a deixar alguns dos conselheiros cautelosos na hora de aprovar a venda na reunião, segundo fontes. Dois deles pediram vista, na tentativa de adiar a decisão, mas tiveram o pedido negado. Segundo o BTG Pactual, a proposta do Mubada ficou 35% abaixo do limite inferior de suas estimativas.

Já o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) estimou valor de US$ 3 bilhões para o ativo, quase o dobro do que será pago pela refinaria. 

A Petrobrás rebate as críticas. De acordo com a empresa, bancos e consultorias técnicas consideraram que a propostado Mubadala se encaixa numa faixa de valores considerados justos. Presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar disse que a entidade vai tentar reverter a decisão na Justiça e que poderá ampliar a greve, que hoje acontece em quatro Estados. “Essa refinaria teve e tem um papel central no desenvolvimento do País, do Nordeste e do Estado e, agora, a perspectiva é de se romper com essa trajetória histórica desenvolvimentista da companhia.”

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Petrobrás anuncia redução nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias

Queda, de 3,7% na gasolina e de 3,8% no diesel, segue as perdas na cotação do petróleo nos últimos dias

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 12h30

RIO - A Petrobrás anunciou nesta quarta-feira, 24, que vai reduzir o preço do litro da gasolina e do diesel em R$ 0,11 nas refinarias a partir de quinta-feira, 25. O preço médio da gasolina passa a ser de R$ 2,59 o litro, 3,7% abaixo do valor médio anterior (R$ 2,69/l), e o preço médio do diesel passa a ser de R$ 2,75/l, queda de 3,8% contra o valor vigente de R$ 2,86/l. 

O anúncio segue a queda do preço do petróleo nos últimos dias. A commodity chegou a perder 6% do valor na terça-feira, 23, por conta de novas restrições para tentar conter a covid-19, especialmente na Europa, o que ampliou as dúvidas sobre o ritmo de retomada da demanda global.

Nesta quarta, porém, o petróleo ensaia uma recuperação, principalmente após a divulgação dos estoques nos Estados Unidos, que tiveram aumento abaixo do esperado.

A Petrobrás segue a cotação internacional do petróleo para definir os preços dos combustíveis em suas refinarias. Essa política de preços é criticada pelo presidente Jair Bolsonaro e motivou a troca no comando da estatal.

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