Cláudia Trevisan/Estadão
Cláudia Trevisan/Estadão

Com tarifa sobre aço, 146 mil vagas podem ser fechadas nos EUA

Medida causará perdas de postos em setores que utilizam o aço como insumo, diz estudo

Cláudia Trevisan, enviada especial, Impresso

10 Março 2018 | 18h41

FONTANA E LOS ANGELES - Estudos divulgados nos Estados Unidos nos últimos dias avaliam que a tarifa de 25% sobre a importação de aço terá um impacto mais negativo do que positivo sobre a geração de empregos no país. O Trade Partnership, instituição dedicada à defesa do livre-comércio, estima que haverá uma perda líquida de 146 mil postos de trabalho, resultado da criação de 33.464 posições na indústria siderúrgica e da perda de 179.334 em outros setores da economia que utilizam aço como insumo.

Impacto semelhante ocorreu em 2002, quando o então presidente George W.Bush impôs tarifas sobre a importação de aço, ainda que de maneira muito mais pontual que a ampla barreira erigida por Donald Trump, o atual ocupante da Casa Branca.

Estudo encomendado pelo Trade Partnership na época estimou que o protecionismo de Bush destruiu 200 mil postos de trabalho durante os 18 meses em que vigorou. O número superava o total de pessoas empregadas em siderúrgicas, que estava em 187 mil no mês de dezembro de 2002.

Outra análise feita na época pelo Peterson Institute for International Economics concluiu que a tarifa levou à criação de apenas 3.500 postos de trabalho na indústria do aço. Mas a pequena expansão teve um custo astronômico para os consumidores americanos, na forma de aumento de preços decorrente da elevação da cotação do aço. O estudo estimou que cada um desses empregos custou US$ 400 mil.

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“As tarifas certamente vão ajudar as indústrias de aço e alumínio a expandirem seus lucros e ampliarem sua produção em certa medida, mas elas provavelmente não trarão de volta os empregos perdidos”, escreveu o economista Eswar Prasad em estudo publicado pelo Brookings Institution na sexta-feira. Segundo ele, grande parte da redução de postos de trabalho no setor é decorrente da tecnologia e da automação.

Para justificar a medida protecionista, o presidente Donald Trump usou o argumento de preservação da defesa da segurança nacional, que vários países prometeram contestar na Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas sua decisão de excluir o Canadá e o México e vincular a eventual aplicação da tarifa sobre os dois países à renegociação do Nafta foi vista por seus críticos como uma tentativa de extorsão para obter concessões na área comercial.

Sem distinção. As barreiras anunciadas são amplas e não distinguem o aço acabado do semiacabado, que ainda vai ser processado nos EUA. “Deveria haver uma clara distinção entre os dois, pelo menos uma diferenciação de alíquota”, disse Brendan Blair, diretor de operação internacionais da Pasha Stevedoring & Terminals, empresa responsável pelas placas de aço destinadas à siderúrgica California Steel, que fabrica o aço usando o produto semiacabado como matéria-prima.

Além dela, outras cinco siderúrgicas nos EUA produzem aço nas mesmas condições. Juntas, elas respondem por 6% da produção americana. 

EUA não esclarecem isenção, diz União Europeia

O governo americano não esclareceu aos europeus quais critérios serão usados para isentar países das tarifas contra o setor do aço. Ontem, representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, se reuniu com comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström. A reunião já estava agendada.

Após o encontro, Cecilia admitiu que não obteve esclarecimentos sobre como irão ocorrer as negociações a partir de agora e nem quais são as condições exigidas pela Casa Branca para permitir que um governo consiga escapar das medidas protecionistas./Jamil Chade, de Genebra

 

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