Vincent Yu/ AP Photo
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Mercados fecham sem sentido único de olho em retomada da economia dos EUA

Enquanto Europa comemorou a aprovação do pacote de US$ 1,9 trilhão, os demais mercados veem recuperação com temor, já que ela favorece a fuga de investidores para o mercado de títulos públicos dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 07h30
Atualizado 08 de março de 2021 | 19h41

Os principais índices do exterior fecharam sem sentido único nesta segunda-feira, 8, com apenas Europa registrando alta generalizada, de olho na aprovação do pacote de estímulos fiscais trilionário dos Estados Unidos. Na Ásia, no entanto, predominou o temor de que a recuperação americana venha acompanhada da inflação, favorecendo o mercado de títulos do Tesouro de lá.

O fato de que o Senado americano aprovou o pacote de 1,9 trilhão proposto por Joe Biden, já depois do fechamento da sexta-feira, agradou investidores. O projeto tramitará agora na Câmara dos Representantes, por ter sofrido alterações, mas a expectativa é de um pacote robusto para apoiar a economia americana, consequentemente sustentando a retomada global. 

O receio de que a inflação ganhe força vem em meio à tendência de alta dos juros dos títulos do Tesouro americano, que seriam beneficiados diretamente com a alta dos índices inflacionários dos EUA, já que esse tipo de ativo está diretamente atrelado à inflação.

Com isso, o mercado asiático deixou em segundo plano os dados sobre as exportações da China, que deram um salto anual de 60,6% no primeiro bimestre, superando de longe a projeção de alta de 40%.

Bolsas de Nova York

As Bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta segunda, em mais um pregão marcado por volatilidade diante da aprovação do pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão pelo Senado. O Dow Jones avançou 0,97%, enquanto o S&P 500 recuou 0,54%. Já o Nasdaq despencou 2,41%.

Todas as cinco maiores companhias americanas de tecnologia despencaram: Apple teve perda de 4,17%, Facebook, de 3,39%, Amazon, de 1,62%, Microsoft, de 1,82% e Alphabet, de 4,27%, controladora do Google. Já a Tesla, quarta ação de maior peso no Nasdaq, recuou 5,84%.

Bolsas da Ásia 

A Bolsa de Tóquio caiu 0,42%, enquanto a de Hong Kong cedeu 1,92% e a de Seul recuou 1%. A Bolsa de Taiwan registrou perda de 0,22%. Na China, os índices de Xangai e Shenzhen tiveram baixas de 2,30% e 3,24%.

Na Oceania, a Bolsa australiana avançou 0,43% em Sydney, mas reduziu a maior parte dos ganhos de mais cedo diante do mau humor na Ásia.

Bolsas da Europa 

Na Europa, o setor bancário apoiou a alta dos índices, com Société Générale e Barclays em altas de 4,69% e 3,70%. Por lá, o índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechou em alta de 2,10%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 1,34%, a de Frankfurt ganhou 3,31% e a de Paris avançou 2,08%. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 3,12%, 1,90% e 0,35% cada.

Petróleo 

petróleo  fechou em queda nesta segunda-feira, com investidores embolsando lucros após os contratos futuros da commodity atingirem seu maior valor desde o primeiro semestre de 2019. O óleo ganhou ainda mais impulso com a informação de que rebeldes atacaram um posto da petroleira Saudi Aramco, segundo confirmou ontem o Ministério da Energia da Arábia Saudita. O movimento de correção, porém, aliado ao fortalecimento do dólar durante a sessão de hoje, impediu que o petróleo estendesse os ganhos da semana passada.  

O WTI para abril fechou em queda de 1,57%, a US$ 65,05 o barril, enquanto o Brent com entrega prevista para maio recuou 1,61%, encerrando a sessão cotado a US$ 68,24. /SÉRGIO CALDAS, ANDRÉ MARINHO, MAIARA SANTIAGO E GABRIEL CALDEIRA

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