Com tendência de alta do juro, renda fixa volta a brilhar nas carteiras

Veja qual produto é mais adequado ao seu bolso: até R$ 10 mil, de R$ 10 mil a R$ 100 mil e acima de R$ 100 mil

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

26 de novembro de 2013 | 08h01

SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza hoje e amanhã a última reunião do ano e deverá anunciar uma nova alta nos juros - a sexta consecutiva. A expectativa é de uma elevação de 0,5 ponto porcentual na Selic, para 10% ao ano. Aos olhos do investidor, isso significa que a renda fixa volta a ficar atrativa.

"A alta eleva o CDI, que baliza as aplicações em renda fixa. Os investimentos atrelados ao CDI, portanto, passam a ter um atrativo maior", diz o professor e pesquisador do Instituto Assaf, Fabiano Guasti. E a perspectiva é de que a elevação do juro não pare por aí. Para o fim de 2014, analistas consultados na pesquisa Focus projetam a Selic em 10,5%.

No mercado, as alternativas são muitas: fundos DI e de Renda Fixa, Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e Tesouro Direto - isso só para citar algumas. A escolha do produto, contudo, depende do tamanho do bolso de quem irá aplicar.

Até R$ 10 mil. Para esta faixa de valor, uma das principais preocupações recai sobre a taxa de administração cobrada nos fundos, que costuma ser mais elevada entre os pequenos investidores.

Segundo a última pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), de setembro, apesar de em média ser cobrada uma taxa de 1,21% em fundos referenciados DI, a tarifa aumenta para 3,29% naqueles que exigem valor inicial menor, de até R$ 1 mil. Quanto maior a taxa, menor é a atratividade, já que a tarifa come boa parte dos ganhos.

"A caderneta de poupança perde para fundos que cobram até 1,5% de taxa de administração", diz o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), José Dutra Vieira Sobrinho. Portanto, se esse investidor conseguir um fundo DI ou de renda fixa que cobre até 1,5% de taxa, a aplicação vale a pena. "Caso contrário, a melhor opção é a própria poupança", comenta Guasti, ao lembrar que nesta aplicação não há Imposto de Renda nem taxa de administração.

O Tesouro Direto também é uma boa alternativa, visto que os juros reais estão na faixa de 5% a 7%. O alerta neste caso é sobre o resgate. Especialistas indicam que o investidor aplique em títulos públicos somente o dinheiro que possa ser deixado até o vencimento. Isso porque, se os papeis forem vendidos antes do prazo, há o risco de os preços estarem baixos, gerando perdas.

Além das Letras Financeiras do Tesouro (LFT) - papéis pós-fixados que rendem a própria Selic média -, há títulos atrelados à inflação e prefixados. Atualmente, o título mais barato é uma NTN-B Principal, que custa R$ 628, mas é possível investir frações de 10% do papel (R$ 62,80).

Os CDBs, por sua vez, não são indicados, já que dificilmente se conseguirá uma rentabilidade acima de 85% do CDI. Essa porcentagem, segundo cálculos do professor Dutra Sobrinho, empataria com a poupança em um período de um ano, no qual o Imposto de Renda é de 17,5%.

De R$ 10 mil a R$ 100 mil. Para este investidor, parte da carteira pode ser aplicada em CDBs, desde que negocie melhores taxas de retorno. "Com R$ 50 mil, é provável que o investidor já consiga uma taxa mais interessante nos CDBs, de 90% a 95% do CDI", afirma Dutra Sobrinho.

O Tesouro Direto continua a ser uma opção para aqueles que pretendem manter o dinheiro investido até o vencimento. Além disso, os fundos são indicados, desde que também possuam taxas menores. "Com esta carteira, é possível tentar negociar a taxa de administração com o gestor, gerente do banco ou corretor", diz Guasti.

Nesta faixa, começam a surgir produtos diferenciados, como é o caso da Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Por ser isenta de Imposto de Renda para pessoa física, a LCI oferece um retorno maior que um papel de renda fixa comum.

Este produto funciona como um CDB. Ao comprá-lo, o investidor empresta recursos ao banco para que ele faça empréstimos, mas na LCI o dinheiro é direcionado especificamente para o crédito imobiliário. A desvantagem é a liquidez. Por isso, vale a mesma regra do Tesouro Direto: só investir se for ficar até o vencimento. Na Caixa Econômica Federal, a aplicação mínima é de R$ 50 mil, com prazo mínimo de resgate de 60 dias.

Acima de R$ 100 mil. Para todas as carteiras vale a regra da diversificação, mas em grandes fortunas é possível inovar não só nos produtos, mas também nos prazos. "A nossa recomendação até agora era ficar na renda fixa mais curta esperando o juro subir. Neste momento, acreditamos que a Selic já aumentou o suficiente e é indicado alongar um pouco mais o vencimento dos papéis da carteira. Há mais risco, mas o retorno também tende a ser maior", avalia o diretor do UBS Wealth Management, Paulo Corchaki, que trabalha com carteiras acima de R$ 3 milhões.

Nesse sentido, os títulos de inflação surgem como uma boa opção. "Para este tipo de papel é possível pegar vencimentos em 2022 ou 2024", comenta Corchaki.

Além disso, a recomendação no Tesouro Direto, assim como na LCI, continua válida. Vale lembrar que no Tesouro Direto há um limite máximo de compras por mês, de R$ 1 milhão. Além da LCI, a LCA surge como alternativa, por ser isenta de IR.

"A aplicação mínima gira ao redor de R$ 100 mil. Se aplicar hoje, você consegue um retorno em torno de 11,60%, o que equivaleria aplicar a 13% em um título de renda fixa que tenha cobrança de imposto", compara Corchaki, ao lembrar que uma rentabilidade de 13% livre de risco é difícil de ser obtida, ainda que a Selic esteja em tendência de alta.

Em relação aos fundos, Corchaki ressalta que neles há a dificuldade de o investidor controlar o prazo de vencimento dos papeis. "Há vencimentos constantes e os gestores sempre rolam as posições sempre", diz. Ou seja, se o fundo possui um prazo médio de vencimetno dos papeis de dois anos, isso não significa que se você entrar hoje e sacar daqui dois anos pegará o vencimento de todos eles, pois no meio do caminho alguns títulos já venceram e os gestores reaplicaram o dinheiro em novos papeis de dois anos.

Outra opção são as debêntures, segundo Vieira Sobrinho. Os papéis de crédito privado, porém, costumam embutir um risco maior. Por isso, o investimento deve ocorrer somente após uma avaliação cuidadosa.

Tudo o que sabemos sobre:
renda fixaSelicjuroinvestimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.