Behrouz Mehri/AFP
Behrouz Mehri/AFP

Mercados internacionais fecham sem sentido único com vacina russa e estímulos nos EUA

Mercado se animou, apesar das ressalvas, com a informação de que país desenvolveu um imunizante; nos Estados Unidos, expectativas é que democratas e republicanos cheguem a um consenso

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2020 | 07h00
Atualizado 11 de agosto de 2020 | 18h40

As Bolsas da Ásia, Europa e Nova York fecharam sem direção única nesta terça-feira, 11, em meio a expectativas de novos estímulos fiscais nos Estados Unidos, a recente escalada das tensões entre americanos e chineses e o anúncio de que uma vacina russa contra o coronavírus já estaria pronta para uso.

Os investidores estão na expectativa de que governo dos EUA retome negociações com lideranças democratas no Congresso sobre um novo pacote fiscal em resposta à pandemia de coronavírus, que já acumula mais de 20 milhões de casos no mundo, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. Na segunda-feira, 10, o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, garantiu que a Casa Branca está disposta a retomar o diálogo.

No sábado, 8, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou decretos executivos estendendo alguns benefícios fiscais, diante do fracasso das conversas entre republicanos e democratas no fim da semana passada. No entanto, hoje ele informou que os líderes democratas do Congresso estão dispostos a retomar o diálogo.

Também hoje, a notícia dada por Vladimir Putin de que um imunizante contra a covid-19 já está pronto para uso animou o mercado, já que as previsões mais otimistas estimavam uma vacina apenas para dezembro. O anúncio, no entanto, é visto com cautela pela Organização Mundial da Saúde especialistas, já que os testes em humanos duraram menos de dois meses.

Mas as tensões entre Washington e Pequim continuam no radar. Na segunda, a China impôs sanções a 11 cidadãos dos EUA, incluindo senadores, em retaliação ao gesto dos EUA, que na última sexta, 7, penalizou 11 autoridades de Hong Kong e chinesas pela questão da nova lei de segurança nacional implantada pelos chineses no território semiautônomo.

Bolsas da Ásia 

No mercado asiático, um clima misto predominou, com os investidores ainda atentos à tensão entre EUA e China. Por lá, os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto caíram 1,15% e 1,49% cada, enquanto o Taiex perdeu 0,88% em Taiwan. Por outro lado, o japonês Nikkei subiu 1,88%, o sul-coreano Kospi avançou 1,35% e o Hang Seng se valorizou 2,11% em Hong Kong. Na Oceania, a bolsa australiana registrou alta de 0,47%.

Bolsas da Europa 

No velho continente, a melhora do indice de expectativas econômicas da Alemanha, que foi de 59,3 pontos em julho para 71,5 pontos em agosto animou os mercados locais e levou o Stoxx 600 a fechar com alta de 1,68%, apoiada também pela vacina russa. Por lá, a Bolsa de Frankfurt subiu 2,04%, a de Londres avançou 1,71% e a de Paris teve alta de 2,41%. Milão, Madri e Lisboa ganharam 2,84%, 2,97% e 0,85% cada.

Bolsas de Nova York

O mercado acionário de Nova York acabou por fechar em queda, ainda à espera de uma colaboração mais formal entre republicanos e democratas sobre os pacotes de ajuda nos EUA, já que apenas a declaração de Trump não bastou aos investidores. Com isso, Dow Jones caiu 0,38%, o S&P 500 recuou 0,80% e o Nasdaq teve baixa de 1,69%, refletindo o impasse entre americanos e chineses em torno dos aplicativos WeChat e TikTok - cujo a Microsoft tenta comprar.

Também no final do pregão, as Bolsas americanas aprofundaram ainda mais as quedas, à espera do anúncio da vice de Joe Biden para a eleição de novembro nos EUA. Apenas no final, o nome da senadora Kamala Harris foi revelado.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda na madrugada desta terça, após o Departamento de Energia (DoE) dos Estados Unidos elevar as projeções para o consumo global em 2020, mas ainda prever uma queda na demanda de 8,1 milhões de barris por dia (bpd) em relação a 2019. Com isso, o WTI para setembro, referência no mercado americano, recuou 0,79%, a US$ 41,61 o barril. Já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, perdeu 1,09%, a US$ 44,50 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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