EFE/David Fernandez
EFE/David Fernandez

Com time de peso, Macri chega ao País para reuniões com Bolsonaro

Na mesa, economia e segurança estarão no centro das discussões; substituição da Unasul também será debatida

Luciana Dyniewicz e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2019 | 04h00

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Na primeira visita oficial que receberá de um líder estrangeiro, o presidente Jair Bolsonaro deve focar as conversas em assuntos relacionados à economia e segurança. Segundo agenda da Casa Rosada, o presidente argentino, Mauricio Macri, deveria pousar na noite de terça-feira em Brasília.

Apesar de não ter participado da cerimônia de posse de Bolsonaro – com a desculpa de que estava de férias na Patagônia –, o argentino chega agora acompanhado de um time importante de ministros: Nicolás Dujovne (Economia), Dante Sica (Produção), Jorge Faurie (Relações Exteriores), Oscar Aguad (Defesa), Patricia Bullrich (Segurança), Germán Gravano (Justiça e Direitos Humanos), além de Fulvio Pompeo (secretário de Assuntos Estratégicos).

Nas reuniões da equipe econômica, dinamização do comércio bilateral, situação do Mercosul e negociações do bloco com outros países são temas que vão predominar nos debates. A ideia é buscar iniciativas que possam aumentar a integração e a produção em ambos os países, segundo uma fonte do governo argentino. O governo Macri também quer ampliar as exportações para o Brasil, já que a Argentina apresenta déficits comerciais com o País. O intercâmbio comercial entre as duas maiores economias do Mercosul está longe de seu melhor momento. No ano passado, somou US$ 26 bilhões, o que significa uma queda de 34% em relação aos US$ 39,6 bilhões registrados em 2011, ano recorde.

Na mesa de debates, deverá aparecer ainda o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, que vem sendo negociado há 20 anos, e a possibilidade de novas parcerias com outros países e blocos. A intenção é integrar o Mercosul globalmente.

Entre as equipes dos Ministérios de Defesa, Segurança e Justiça, as conversas se concentrarão no combate ao crime organizado (o que deverá incluir trâmites mais ágeis nas fronteiras) e à corrupção. Ainda na pauta elaborada pela Argentina constam os assuntos energia nuclear, desenvolvimento da indústria de satélites e espacial. A situação da Venezuela também deve ser abordada no encontro entre os dois presidentes.

Unasul

Outro ponto é a criação de um novo bloco para substituir a União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O governo brasileiro acredita que o bloco está “praticamente encerrado” e proporá utilizar fóruns já existentes no Mercosul para substituir a organização em áreas como infraestrutura e questões de fronteira. Segundo fontes, o Brasil é “simpático” à ideia de criar um novo bloco para substituir a Unasul, mas prefere não “duplicar esforços”, por isso vai sugerir usar instâncias que já existem.

O Brasil já foi consultado por países como Chile e Colômbia sobre a possibilidade de criação de um novo bloco em substituição à Unasul (que poderia se chamar Pró-Sul).

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