Com toda pompa, Kirchner anunciará fim do calote

O presidente argentino Néstor Kirchner anunciará formalmente - e com toda pompa - o fim do calote da dívida publica com os credores privados. O cenário para o anúncio - o plenário da Câmara de Deputados - será o mesmo onde, há pouco mais de três anos - no dia 23 de dezembro de 2001 - Adolfo Rodríguez Saá, na época presidente provisório da Argentina, anunciou o default (calote) da dívida. Na ocasião, Rodríguez Saá foi ovacionado em massa pelo Congresso Nacional. Kirchner pretende diferenciar-se do polêmico Rodríguez Saá. Tudo indica que ele também será ovacionado. No entanto, desta vez, os parlamentares (muitos dos quais são os mesmos que aplaudiram o calote) aplaudiriam o anúncio de Kirchner de que o calote está encerrado, e com sucesso. A medida do êxito desta troca da dívida é outra das grandes incógnitas. O governo calcula que a adesão dos credores ultrapassou 70%. Os analistas na argentina até especulam em 80%. Kirchner, possivelmente hoje, forneceria um dado preliminar sobre o resultado da troca de títulos.ProtestosAs principais associações de consumidores da Itália anunciaram que apresentarão nos próximos dias uma denúncia formal contra o presidente Néstor Kirchner, a quem acusam de "delinqüente" e de cometer "fraude grave".As acusações referem-se à reestruturação da dívida pública com os credores privados. Os italianos consideram que Kirchner, ao realizar uma proposta unilateral de redução da dívida, roubou os 450 mil credores italianos que possuíam títulos argentinos em estado de calote.O caloteO default - que durou 1.159 dias - garante à Argentina um lugar de destaque no livro Guinness dos recordes como o maior caloteiro da História mundial. A reestruturação da dívida envolveu US$ 81 bilhões e 800 milhões que serão reduzidos para uma faixa que oscilará entre US$ 38,5 bilhões e US$ 41 bilhões.A operação implicou na substituição de 152 títulos em estado de calote por um grupo de três novos bônus, reestruturados. Além disso, por causa da dívida nova que será gerada, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, poderá ostentar o título de ser o maior emissor de dívida de uma só cartada.Os credores que optaram pelos novos títulos terão que esperar até 2047 para terminar de receber todo o dinheiro. A redução da dívida alcança até 66,3% do valor original dos títulos antigos. Os credores que optaram por permanecer fora da troca de títulos terão como única saída recorrer aos tribunais internacionais contra o Estado argentino.

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