Philip Fong/AFP
Philip Fong/AFP

Mercados internacionais fecham em alta com transição nos EUA e vacinas contra covid

Na 'corrida das vacinas', a AstraZeneca informou ontem que seu imunizante possui eficácia de até 90%; nos EUA, Trump ainda não reconheceu a derrota, mas já começou a abrir a Casa Branca aos democratas

Isadora Duarte, Mateus Fagundes e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2020 | 07h31
Atualizado 24 de novembro de 2020 | 19h03

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam a sessão desta terça-feira, 24, em forte alta, à medida que o rali para o risco visto na véspera em Wall Street se estendeu aos continentes. O otimismo tem como pano de fundo as notícias de vacinas contra a covid-19 e da transição de poder nos Estados Unidos. Nova York também subiu e seu principal índice, o Dow Jones, fechou com novo recorde diário, ao superar os 30 mil pontos.

Contribuiu para o ambiente de negócios a sinalização de uma transição mais pacífica nos Estados Unidos, após o presidente Donald Trump ter autorizado o governo a iniciar os protocolos formais de passagem de poder para a equipe de Joe Biden. No entanto, o republicano ainda não reconheceu a vitória do democrata.

Além disso, a expectativa de que a ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, assuma a secretaria do Tesouro americano animou os investidores, à medida que ela advoga por mais estímulos econômicos. "Yellen será uma adição bem-vinda à administração em um momento em que a economia continua a ser adversamente afetada pela covid-19 e precisa de apoio contínuo da política monetária e fiscal", destacou, em relatório, a economista-chefe para os EUA da High Frequency Economics, Rubeela Farooqi. 

Os ganhos também foram impulsionados pelo otimismo dos investidores com as esperanças crescentes das vacinas contra a covid-19, após a notícia de que o imunizante da AstraZeneca, desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, apresentou eficácia de até 90% e tem fácil capacidade de armazenagem. A notícia veio na esteira de testes bem-sucedidos da Pfizer e da Moderna, anunciados na semana passada.

Bolsas de Nova York

O aval do presidente ecoou de maneira positiva em Wall Street, onde as bolsas nova-iorquinas tiveram uma sessão de fortes ganhos. O índice Dow Jones fechou com avanço de 1,54%, aos 30.046,24 pontos, acima da inédita marca de 30 mil pontos. O S&P 500 se elevou 1,62% e o Nasdaq subiu 1,31%. O setor financeiro apareceu como destaque, com Wells Fargo em alta de 8,78%, acompanhado por Citigroup, com 7,05% e JP Morgan, com 4,62%.

Além disso, entre ontem e hoje, Michigan, Pensilvânia e Nevada certificaram o triunfo de Biden e, dessa forma, impuseram quase intransponível obstáculo na batalha de Trump para reverter o resultado do pleito de 3 de novembro. O republicano tem repetido que a votação não foi legítima por conta de fraude nas urnas, embora não tenha apresentado provas nas Cortes. 

Bolsas da Europa

Nesta terça, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 0,91%, de olho nas perspectivas políticas dos EUA. Já em Londres, o relaxamento das medidas de restrição de mobilidade no Reino Unido anunciados na última segunda-feira, 23, ajudaram a Bolsa londrina, que fechou em alta de 1,55%.   

A Bolsa de Paris avançou 1,21%, com os papéis de Carrefour registrando alta de 0,18%, enquanto a de Frankfurt teve ganho de 1,26%. Milão, Madri e Lisboa tiveram algumas das maiores altas da região, subindo 2,04%, 2,03% e 2,73% cada.

Bolsas da Ásia 

O grande destaque desses mercados foi o pregão em Tóquio. Fechada na segunda-feira devido a um feriado local, a Bolsa do Japão teve forte avanço. O Nikkei saltou 2,50%, terminando aos 26.165,59 pontos, o maior nível desde maio de 1991. Das 225 empresas do índice, somente 20 não subiram. A Bolsa de Seul fechou em valorização de 0,58%. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, de Sydney, subiu 1,26% e o S&P/NZX 50, de Wellington, ganhou 0,41%.

A exceção foram os mercados da China, que viveram uma realização de lucros. A Bolsa de Xangai caiu 0,34% e a de Shenzhen recuou 0,34%.

Petróleo

Os contratos futuros mais líquidos de petróleo fecharam esta terça-feira em alta significativa, com o apetite por risco de investidores dando a tônica dos mercados. Além da chance de uma vacina contra a covid-19 e o avanço da transição de poder nos Estados Unido, animou a expectativa de extensão do corte da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+)

O WTI para janeiro fechou em alta de 4,29%, a US$ 44,91 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), após superar a marca de US$ 45 por barril mais cedo. Já o Brent para igual mês encerrou as negociações com avanço de 3,90%, cotado a US$ 47,86 o barril. Os preços voltaram para os níveis de março, quando teve início a pandemia do novo coronavírus. 

Hoje, a agência de notícias Tass informou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou a possibilidade de adiantar as negociações sobre a extensão dos cortes com a liderança da Arábia Saudita, sinalizando que uma decisão só será tomada após a reunião do grupo, que ocorre em 1° de dezembro./ COLABORARAM MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA E MATHEUS ANDRADE

 

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