Com um incidente por semana, Europa diz que já havia identificado problemas com carne

Desde janeiro de 2016, foram 55 problemas com produtos nacionais registrados nas fronteiras do bloco; dependência de frango brasileiro, porém, obriga europeus a negociar uma cooperação

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2017 | 18h27

GENEBRA - O sistema de alerta sanitário da Europa registrou quase um caso de irregularidade por parte das carnes brasileiras a cada semana, o que levou Bruxelas a tratar do assunto com o governo brasileiro antes mesmo da Operação Carne Fraca. Dados obtidos pelo Estado revelam que, desde janeiro de 2016, 48 casos de problemas sanitários com o frango nacional e sete com outras carnes foram descobertos. 

Em 2017, dos 23 problemas identificados com carregamentos de carnes brasileiras em menos de 3 meses, 21 foram rejeitados nos portos europeus e mandados de volta ao Brasil. Em 2016, dos 32 casos envolvendo carnes brasileiras, 28 foram rejeitados na fronteira.

Em 2015, foram outros 51 indicentes. Todos os casos, segundo os europeus, foram comunicados às autoridades brasileiras. Os dados foram compartilhados com todos os demais países europeus e dentro de um sistema de alerta conhecido como RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed). 

 

 

No total, o Brasil corresponde a 60% de toda a importação de carne de frango por parte da Europa, o que torna o fechamento total das fronteiras uma realidade de difícil aplicação por parte de Bruxelas. Por isso, o objetivo dos europeus é o de conseguir uma cooperação com as autoridades brasileiras para conseguir que o controle seja reforçado.

"Identificamos problemas e eles foram registrados em nosso sistema", disse o comissário de Saúde da Europa,  Vytenis Andriukaitis, que visita Brasília a partir de segunda-feira. 

"Talvez possamos discutir esses assuntos com as autoridades brasileiras sobre como lidar com os problemas reais de forma conjunta. Mas precisamos garantir cooperação e a troca de informações", afirmou.   

O segundo maior fornecedor de carne de frango para a Europa, a Tailândia, também aparece como um problema. O país representa cerca de 30% do mercado de importação do bloco e também somou 30 incidentes desde o início de 2016. Bruxelas também negocia com os asiáticos um melhor monitoramento.

Os demais exportadores, por terem vendas menores, registraram um número de casos bem inferior. No caso das vendas da Argentina, foram seis casos de problemas sanitários registrados pelos europeus desde 1 de janeiro de 2016, conta três nos carregamentos vindos do Canadá, quatro no caso dos produtos americanos, seis chineses e sete sul-africanos. Outros dois exportadores - Austrália e Uruguai - registraram cinco e sete casos, respectivamente.

Caso. De acordo com os dados, os incidentes envolvendo o Brasil citam bactérias e outras questões sanitárias. No dia 4 de janeiro de 2016, as autoridades da Holanda registraram salmonella no frango congelado nacional, rejeitando o desembarque da carga. No dia 28 de janeiro, foram os ingleses que detectaram um problema na temperatura mantida pela carne de frango nacional, com o carregamento também sendo rejeitado.

No dia 17 de fevereiro de 2016, foi a vez da França rejeitar a entrada de carne bovina nacional. Ela estava com a bactéria Escherichia coli. Nos meses seguintes, problemas similares foram identificados na Espanha, Alemanha e Itália.

Em 2017, pelo menos seis casos foram registrados com problemas sanitários nos portos da Holanda e envolvendo carnes brasileiras. Mais de dez outros casos foram identificados em portos ingleses. 

Em alguns casos, o registro não resultou na rejeição dos produtos. Na Irlanda e Suécia, por exemplo, os testes apenas detetaram certas irregularidades que forçaram as autoridades a alertar a rede de supermercados sobre eventuais problemas. 

Os dados obtidos pelo Estado não descrevem os nomes das empresas envolvidas e nem a qualidade embarcada. Mas pessoas próximas aos casos apontam que os carregamentos em especial para os portos holandeses são destinados a toda a Europa, já que Roterdã é considerado como um dos principais pontos de entrada do continente. 

Desde a eclosão da Operação Carne Fraca, no dia 17 de março, nenhum novo registro de irregularidade foi detetado pelos europeus. O último ocorreu no dia 14 de março, com salmonella identificada na carne de peru nos portos da Holanda.

Na semana passada, os serviços oficiais de veterinários europeus anunciaram que reforçaram o controle sobre as carnes nacionais e que, no dia 29 de março, se reunirão para decidir se irão ampliar o embargo. 

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