Com Venezuela, Mercosul tem cara de América do Sul

O ministro das Relações exteriores, Celso Amorim, afirmou na manhã desta quinta-feira, no Itamaraty, que o ingresso da Venezuela ao Mercosul fez do bloco, pela primeira vez, "a cara da América do Sul". O chanceler lembrou que mencionar o bloco como uma realidade do Cone Sul tornou-se comum, o que gerava reações dos países ao Norte. Com a Venezuela na categoria de sócio pleno, essa vinculação sub-regional torna-se irrelevante. "É evidente que, agora, o Mercosul tem a cara da América do Sul", afirmou, logo depois da abertura da primeira reunião plenária do Grupo Piloto sobre Mecanismos Inovadores de Financiamento do Desenvolvimento, no Itamaraty. Questionado se essa nova composição do Mercosul não deverá dificultar uma eventual retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), dada a total oposição do governo Hugo Chávez a esse projeto, o chanceler escapou: "Nossa prioridade, neste momento, é a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC)". O chanceler destacou que é compreensível a insatisfação dos sócios menores do Mercosul - Uruguai e Paraguai - com o bloco, mesmo com suas "expressões estridentes". Mas, enfaticamente, defendeu que esses parceiros não deixarão o Mercosul. "É muito difícil captar o olhar de uma negociação no mundo, ainda mais quando se atua individualmente. A não ser que seja para assinar um acordo pré-fabricado", argumentou. Amorim afirmou ainda que sua proposta de um "new deal" para o Mercosul envolve uma extrapolação das questões tarifárias, como acordos entre os sócios sobre políticas de financiamento, de compras governamentais, de normas técnicas e outras. Parte dessa agenda foi detalhada em sua visita ao Uruguai, em meados de junho.

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