Com volume fraco, Ibovespa segue exterior e recua 0,4%

As preocupações com a crise na Europa e com a atividade econômica mundial empurraram o índice Ibovespa ao menor nível desde julho do ano passado nesta segunda-feira, em um movimento global de aversão a risco.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

23 de maio de 2011 | 18h08

O desempenho de ações ligadas à economia doméstica e de papéis considerados mais "defensivos", porém, ajudou a evitar que a bolsa local tivesse queda tão intensa como a de Wall Street.

O principal índice das ações brasileiras caiu 0,4 por cento, a 62.345 pontos. É o menor patamar de fechamento desde 16 de julho de 2010. O giro financeiro do pregão foi de 4,2 bilhões de reais, bem abaixo da média de 6,7 bilhões de reais por dia neste ano.

As bolsas em Nova York caíram mais de 1 por cento e as commodities recuaram 1,4 por cento após uma série de notícias sobre a Europa e a atividade global.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu a perspectiva de crédito da Itália a "negativa", citando a fraca projeção de crescimento da economia e as menores possibilidades de o país reduzir sua dívida. A nota permaneceu em "A+" .

Na Espanha, o partido governista sofreu uma pesada derrota nas eleições regionais, aumentando a incerteza política em uma das economias mais monitoradas pelos investidores em meio à crise da dívida na zona do euro.

Além disso, a atividade industrial chinesa cresceu no menor ritmo em 10 meses, levantando preocupações sobre demanda.

Entre as ações do Ibovespa ligadas a commodities, mais sensíveis ao quadro internacional, Petrobras PN recuou 1,63 por cento, a 23,60 reais, Marfrig recuou 4,51 por cento, a 13,75 reais, e JBS teve baixa de 3,5 por cento, a 4,97 reais. Vale PNA evitou uma queda maior, com baixa de 0,11 por cento, a 43,70 reais.

Leonardo Bardese, operador da corretora BGC Liquidez, destacou que ações mais voltadas à economia doméstica, como Cyrela e Lojas Americanas, escaparam da baixa. Para ele, a menor pressão inflacionária decorrente da queda global das commodities pode ter ajudado a criar demanda para os papéis, já que implicaria uma alta menor dos juros.

Dentre outros papéis que fecharam em alta, Pão de Açúcar subiu 0,43 por cento, a 67,09 reais, após o periódico francês Journal du Dimanche publicar no domingo que o Carrefour estuda uma fusão de sua unidade brasileira com a empresa de Abílio Diniz.

Sabesp avançou 0,85 por cento, a 48,41 reais. A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) definiu a taxa do custo médio ponderado do capital ("Weighted Average Capital Cost" - WACC) da empresa em 10,71 por cento a ser considerada no primeiro ciclo de revisão tarifária. A definição da taxa é fundamental para a aplicação do cálculo tarifário na revisão.

Fora do índice, Brasil Properties caiu 5,64 por cento, a 16,40 reais, após apresentar um pedido de análise junto à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) para realizar uma oferta pública primária de ações.

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