Com vôo cancelado, time de futebol não volta para Venezuela

O time de futebol venezuelano Obdulio Varela, formado por 20 adolescentes de 14 e 15 anos, veio ao Brasil para disputar um torneio de futebol na cidade de Ubatuba, em São Paulo. A experiência foi ótima dentro de campo. Mas, fora dele, nem tanto.Após disputar a competição, na qual ficaram em segundo lugar, os atletas e a comissão técnica fizeram questão de visitar o Rio de Janeiro por três dias. Só não contavam passar por tantos transtornos no embarque de volta para casa, hoje, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, devido ao cancelamento dos vôos da Varig."Não temos dinheiro, hotel, alimentação e nem previsão de embarcar. Nunca mais viajo de Varig, mas volto ao Brasil porque fui bem recebido", declarou ao Estado o técnico da equipe, Juan Carlos Hernández, de 50 anos. "Estou preocupado com os pais deles, que estão nos esperando e não têm a menor idéia do que está acontecendo".A delegação chegou ao aeroporto por volta de 6 horas e, logo em seguida, foi informada sobre o cancelamento do vôo para Caracas. À espera de uma solução, a garotada, na maioria, dormiu, jogou cartas ou, a contragosto do treinador, apostou corrida com os carrinhos de bagagem."Estamos tranqüilos, mas está dando uma fome...", disse Juan Carlos Hernández, de 15 anos, que atua no meio-de-campo e é filho do técnico, ao olhar para o relógio, que marcava 11h30. "Apesar dos problemas, não vou desistir de ser jogador de futebol", garantiu. Até a tarde de hoje, eles ainda não haviam conseguido embarcar.Mais problemasO economista venezuelano Juan Carlos Cerezo, de 44 anos, passou por situação semelhante. Após não conseguir embarcar para Caracas no domingo, ele teve seu vôo cancelado com destino a Manaus. De lá, seguiria por outra companhia até seu país. Estava inconformado. "Paguei US$ 500 num bilhete de Manaus até a Venezuela e não devo chegar a tempo. Aliás, nem sei se vou embarcar. Ninguém está endossando a passagem da Varig", afirmou o economista. "Não tenho dinheiro e nem cartão para ligar para os meus parentes".No domingo, como permaneceu no Rio, ele gastou R$ 276,90 em hospedagem e alimentação e não foi ressarcido pela Varig. "Nunca mais vôo de Varig e nem volto ao Brasil, um país que não cumpre as leis. Um absurdo", esbravejou.A Varig é a única companhia brasileira a voar para a Venezuela. Hoje à noite, a empresa informou que está encaminhando os passageiros para as companhias estrangeiras Copa (Panamá), Taca (El Salvador) e Aerolíneas Argentinas.

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