Com Votorantim, BB fica R$ 21,8 bi atrás de Itaú Unibanco

Mesmo sem reconquistar a liderança do setor em relação a ativos, BB fica à frente na carteira de crédito

Ana Paula Ribeiro, Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

09 de janeiro de 2009 | 13h43

A compra da parcela do Banco Votorantim anunciada pelo Banco do Brasil fará com que os ativos totais da instituição pública cheguem a R$ 553,3 bilhões, tendo como base os dados de setembro de 2008. Com isso, o BB ficará R$ 21,8 bilhões atrás do Itaú Unibanco, a maior instituição financeira do Brasil. Embora não reconquiste a liderança em relação aos ativos, o BB ficará à frente em relação ao total da carteira de crédito (sem avais e fianças).   Veja também: BB anuncia compra de 49,99% do capital votante do Votorantim Presidente do BB irá presidir o Conselho do Banco Votorantim   Em entrevista nesta sexta-feira, porém, o presidente do BB, Antonio Francisco de Lima Neto, ressaltou que a instituição não está buscando "desenfreadamente" recuperar a liderança perdida para o Itaú Unibanco. "Só faremos negócios que tenham caráter estratégico para o banco", disse, descartando que o BB, com as aquisições feitas nos últimos meses, esteja perdendo o foco. Segundo ele, os negócios realizados, ao contrário, fortalecem a instituição, reforçando sua atuação em mercados em que seu espaço era reduzido.   O Banco do Brasil informou que em setembro contava com ativos totais de R$ 512,4 bilhões, já contabilizando a compra da Nossa Caixa, anunciada em novembro. Os 50% do capital total do Votorantim que o BB está adquirindo representam, naquela data, ativos de R$ 40,9 bilhões. Itaú Unibanco, por sua vez, contava com ativos de R$ 575,1 bilhões, e o Bradesco, terceiro nessa lista, de R$ 422,7 bilhões.   Ainda com base nos dados de setembro, a carteira de crédito do Banco do Brasil, somada à participação de 50% no Votorantim, somava R$ 232,8 bilhões, ultrapassando os R$ 225,3 bilhões de Itaú Unibanco em setembro de 2008, sem incluir avais e fianças.   Com a compra do Votorantim, o BB eleva sua exposição no segmento de pessoa física em 21%, para R$ 62,6 bilhões - antes essa carteira somava R$ 51,5 bilhões. BB e Banco Votorantim terão R$ 73,2 bilhões em empréstimos para as pessoas físicas, superando os R$ 66,7 bilhões do Bradesco, mas ainda atrás de Itaú Unibanco, que tem 95,2 bilhões.   A elevação da carteira de crédito, no entanto, reduz o nível de capitalização do BB (Basiléia), que é o espaço que a instituição tem para conceder novos empréstimos em relação ao seu patrimônio de referência. Esse índice ficará em 12,5% com a compra de parcela do Votorantim, contra os 13,5% antes do acordo de hoje. Pelas regras estipuladas pelo Banco Central, o total de empréstimos deve representar, no mínimo, 11% do patrimônio. Os 12,5% são uma estimativa do BB para dezembro, já levando em conta as incorporações feitas e a alteração na regra de contabilização de créditos tributários, que tiveram seu peso reduzido no consumo de capital.   Competição   O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo vai continuar estimulando a competição do sistema bancário brasileiro através de regulação. Ele deu a declaração ao ser questionado sobre o risco da concentração bancária para o consumidor brasileiro. Ele lembrou que no dia 1º de janeiro deste ano começou a funcionar a conta-salário, que permite ao trabalhador assalariado escolher o banco no qual quer receber o seu salário. Ele ponderou ainda que a competição depende também do consumidor, que tem que se informar bem em relação às taxas e tarifas praticadas pelos bancos.   Para o ministro, não adianta ter bancos que oferecem taxas de juros mais baixas com tarifas e serviços mais altos. Ele também lembrou que o governo regulamentou as tarifas bancárias e disse que, dessa forma, o governo vai dando condições para que a competição entre os bancos seja maior.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.