Comando estatal do crédito implica riscos futuros

As operações de crédito aumentaram 1,5%, entre outubro e novembro, e 16,1%, em 12 meses, segundo o Banco Central (BC). O governo federal não está preocupado com as pressões inflacionárias resultantes nem com a ampliação da participação das instituições federais no mercado de crédito - Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas essa política não é isenta de riscos para as contas públicas no longo prazo.

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h06

A relação crédito/PIB passou de 45,2%, em 2010, para 49%, em 2012, e chegou a 52,6%, em novembro, com avanço ininterrupto desde fevereiro. O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, previu desaceleração do crescimento do crédito, de 16%, em 2012, para 14%, em 2013, o que é feito à custa do setor privado.

Em 2010, o peso relativo das instituições públicas e privadas na oferta de crédito era semelhante: entre 18% e 19% do PIB para cada grupo, cabendo parcela de quase 8% do PIB para bancos estrangeiros. Mas, entre dezembro de 2010 e novembro de 2012, o peso das estatais aumentou 5,8 pontos de porcentagem do PIB; e o de bancos privados e estrangeiros cresceu 0,8 ponto do PIB, cada um.

Outro aspecto do comando estatal diz respeito ao crédito direcionado (rural, habitacional e BNDES), que depende de políticas ou de fontes públicas. O crédito direcionado corresponde a 19,4% do PIB, e cresceu 2,1% no mês e 20,2% nos últimos 12 meses. A alta foi maior para pessoas físicas (2,4% no mês e 31,2% em 12 meses), do que para jurídicas (1,9% e 12,9%, respectivamente).

O aumento da participação dos bancos públicos na oferta de crédito não é acompanhado de uma redução mais forte de juros, como quer fazer crer a propaganda maciça de algumas instituições na TV. Tanto que o spread (diferença entre taxas de aplicação e de captação dos bancos), que caiu 6,7 pontos porcentuais entre novembro de 2011 e setembro de 2012, diminuiu apenas 0,2 ponto em outubro (sobre setembro) e 0,5 ponto em novembro, para pessoas físicas. O aumento das operações de curto e curtíssimo prazos, natural às vésperas do fim do ano, pode ter contribuído para impedir uma queda maior.

Há um aspecto positivo no crédito: a ligeira diminuição da inadimplência das pessoas físicas, de 7,9%, em outubro, para 7,8%, em novembro. Mas o nível de atrasos de pagamentos ainda é muito elevado, e muito preocupante em vista do endividamento das famílias. Esse é um dos principais riscos para os bancos que mais fornecem crédito hoje.

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