Combalido sistema financeiro da Irlanda assusta a Europa

A fraqueza do sistema bancário da Irlanda causa turbulência no país e desperta atenção no exterior. Analistas avaliam que, por enquanto, o problema está isolado do restante da Europa e não pode ser comparado com a situação da Grécia, que gerou aversão ao risco global. No entanto, aumentam os temores com o custo fiscal da reestruturação do setor financeiro e a necessidade de ajuda externa não está descartada.

Daniela Milanese / CORRESPONDENTE LONDRES, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

O caso chama a atenção porque a Irlanda foi o primeiro país da zona do euro a partir para o combate ao déficit, com duras medidas de contenção e cortes de gastos. As iniciativas, entretanto, não se mostram suficientes ou eficazes para tirar o país da crise, deflagrada pelo estouro da bolha imobiliária.

O governo terá de colocar mais dinheiro no Anglo Irish Bank, principal ponto de tensão no momento. Segundo o Financial Times, a instituição receberá mais ? 5 bilhões, o que elevará a ajuda do Estado para ? 30 bilhões. Acredita-se que o anúncio do suporte será feito amanhã.

O socorro vai piorar a delicada situação fiscal da Irlanda. A agência Moody"s já rebaixou o rating do Anglo Irish Bank e há receios de que a Standard and Poor"s corte a nota do país. O Danske Bank estima que, sem contar o custo da reestruturação do setor financeiro, o déficit público deve ficar em 11,6% neste ano, um dos maiores da União Europeia. A ajuda ao sistema é estimada entre ? 38 bilhões e ? 50 bilhões.

"A necessidade de novo socorro para o Anglo Irish Bank é fonte de grande preocupação porque o mercado achou que já tínhamos virado essa página", disse o estrategista do Citigroup, em Londres, Luis Costa.

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