Combate à pobreza é possível com crescimento do PIB de 5%

O Brasil precisará apresentar um aumento de seu PIB de 5% a 7% por ano por mais de uma década para conseguir lidar com a pobreza no País. A avaliação é do americano Lawrence Klein, vencedor do prêmio Nobel de Economia nos anos 80 graças a seus trabalhos de previsão de crescimento econômico nos países. Professor emérito da Universidade da Pensilvânia, Klein destaca em entrevista ao Estado que o Brasil "patinou" nos últimos anos, enquanto países como a China, Índia e Rússia conseguiram crescer a taxas mais elevadas. "Falava-se muito no início da década nos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) como um bloco de países. Mas acho que o Brasil ficou para trás", disse.Segundo ele, o Brasil tem todas as condições para crescer. Isso porque o País tem um base industrial importante e ainda é exportador de produtos agrícolas que estão com preços favoráveis, como o açúcar. "Mas acredito que o País não conseguiu seguir o mesmo padrão das demais grandes economias emergentes por problemas políticos. A administração não soube tirar vantagem de um cenário internacional positivo para crescer mais", afirmou o americano, pioneiro nas previsões econômicas usando modelos matemáticos e ainda formulador de projetos de crescimento para governos como o do Canadá, Japão e Reino Unido.Ele avalia que o crescimento da economia brasileira poderá ser maior do que vem ocorrendo nos últimos anos. "Mas ainda assim acho que o País perdeu a chance de crescer durante um período em que a situação internacional era adequada. Para os próximos anos, o Brasil pode ter um aumento de seu PIB de 5% a 7%, um patamar abaixo da Índia e China", afirmou o economista.Cenário favorávelNos últimos anos, a liquidez nos mercados internacionais (volume de negócios) e o crescimento de economias como a dos Estados Unidos contribuiu para o aumento do PIB de regiões em desenvolvimento. O mesmo padrão poderia não se repetir a partir de 2007. "Estamos vendo sinais de desgaste no ritmo de crescimento internacional", afirmou.Para Klein, se a taxa de 5% a 7% de crescimento for mantida por mais de dez anos, "o Brasil conseguirá superar seus problemas de pobreza e desigualdade". "A China, guardada as proporções, está levando 25 anos com taxas recordes de crescimento para conseguir tirar parte de sua população da pobreza, ainda que existam muitos miseráveis ainda no país", disse.Em sua avaliação, ainda que a política fiscal do governo Lula tenha um impacto importante no rumo da economia, o que mais influenciará no crescimento do PIB será o volume da dívida interna, considerado como elevado pelo economista. "Se isso não for resolvido, dificilmente a economia deslanchará", apontou o especialista.

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