Combater excesso de liquidez pode frear PIB

Professor da universidade de maior prestígio da China, a Tsinghua, o norte-americano Patrick Chovanec destoa do tom otimista e afirma que há um risco real de pouso forçado da segunda maior economia do mundo. "O crescimento chinês é mais frágil do que parece, porque está baseado em políticas insustentáveis." O sintoma mais evidente da disfunção apontada por Chovanec é o aumento de quase 50% da base monetária nos últimos dois anos, com a entrada em circulação de 25,15 trilhões de yuans, o equivalente a US$ 3,83 trilhões ao câmbio atual ou quase metade do PIB de US$ 6,05 trilhões.

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

O excesso de capital foi crucial para a boa performance do país em meio à crise global, já que permitiu a expansão do crédito para financiar os milhares de projetos de infraestrutura.

O problema é que a economia ficou dependente do dinheiro farto e barato para se expandir, acredita Chovanec. "Se o governo tiver de restringir essa oferta para combater a inflação, isso vai afetar de maneira significativa o crescimento." A inundação de capital também provocou a alta no preço dos ativos, categoria que inclui imóveis, commodities, ouro e obras de arte. Com dinheiro sobrando e poucas possibilidades de investimentos disponíveis no país, os chineses estão usando os recursos para comprar tudo o que imaginam que irá aumentar de valor no futuro. A elevação nos preços acaba atraindo outros investidores e o movimento passa a se autoalimentar com a expectativa de mais ganhos futuros.

O governo chinês poderá continuar pedalando essa bicicleta por um longo tempo, desde que esteja disposto a conviver com a inflação, diz Chovanec. Mas, quanto mais demorar a enfrentar o excesso de liquidez, maior será o impacto sobre o crescimento, diz o economista.

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