Combustíveis: governo estuda reajuste

Os técnicos do governo vão se reunir na próxima segunda-feira para fazer projeções de quanto tempo será possível segurar o reajuste de combustíveis sem comprometer as metas fiscais. A idéia é obter dados suficientes para apresentar uma planilha com o menor porcentual de aumento para o presidente Fernando Henrique - que já determinou à equipe econômica que adie o repasse da alta dos preços do petróleo no mercado internacional e do dólar.Do ponto de vista econômico, o reajuste já deveria ter acontecido e com um porcentual maior dos que os 7% que estão sendo cogitados para a refinaria. O impacto para os consumidores, neste caso, seria de 5%. De acordo com um técnico do Ministério da Fazenda, qualquer reajuste feito agora só servirá para reduzir a defasagem registrada entre o preço dos combustíveis no mercado interno e no exterior.Aumento em novembro não comprometeria as meta da inflação em 2000Se a opção política for pelo aumento, o período considerado ideal é a segunda quinzena de novembro, quando o reflexo nos índices inflacionários não comprometeria a meta de 6% traçada para 2000. O peso do aumento da gasolina no Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPC-A) é de 3,57%, ou seja, se a elevação for de 10% o impacto no índice será de 0,35%.PPE fecha o ano com saldo negativoMesmo um aumento inferior a 10% não ajudaria a reverter o déficit da Parcela de Preço Específica (PPE), fundo formado pela diferença de preço do produto no mercado internacional e interno, cujo saldo negativo deve ultrapassar os R$ 600 milhões em 2000. Só em outubro, a PPE registrou déficit de R$ 260 milhões, resultado igual à soma dos nove primeiros meses do ano.Até meados deste ano, o governo queria usar os saldos positivos da PPE para ajudar a cumprir a meta de superávit primário (receitas menos despesas sem contabilizar gastos com juros) acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com a redução da oferta de petróleo no mundo e a alta dos preços do produto no exterior, os lucros da Petrobrás foram reprojetados, já que a estatal vende o produto de acordo com a cotação internacional e vai levar a empresa a fechar o ano com saldo positivo em torno de R$ 10 bilhões. Com isso, o governo decidiu usar os lucros da Petrobrás para cobrir a diferença da PPE.

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