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Combustíveis podem ser surpresa ruim no IGP-M, diz FGV

A taxa de 0,30% da primeira prévia do IGP-M de novembro confirmou uma desaceleração dos preços iniciada em outubro. O freio reflete a dissipação do efeito cambial sobre a inflação ao produtor, que tende a chegar ao varejo. Os IGPs tendem a encerrar 2013 próximos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, índice oficial de inflação do País). A única surpresa negativa pode vir de um aumento de combustíveis. O mercado aguarda o anúncio de uma nova metodologia de reajuste pela Petrobras até 22 de novembro.

MARIANA DURÃO, Agencia Estado

08 de novembro de 2013 | 13h17

"O IGP é muito sensível ao preço dos combustíveis, que têm um peso grande no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). A cadeia produtiva sofre com a alta do diesel, enquanto no IPCA pesa mais a gasolina", diz o superintendente adjunto de inflação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros. O peso do óleo diesel é de 3,03% no IPA e o da gasolina, de 1,56%.

No ano passado, os IGPs fecharam acima de 8%, enquanto o IPCA do ano foi de 5,84%. O IGP-DI de outubro (último mensal fechado) em 12 meses foi de 5,46% e o IPCA, de 5,84%, muito mais próximos.

Na primeira prévia de novembro, o IPA - que responde por 60% do indicador - ficou em 0,29%, ante 1,14% na mesma prévia de outubro. A desaceleração foi generalizada pelos grandes grupos: bens finais, intermediários e matérias-primas brutas. Quadros destaca o comportamento dos alimentos processados, cuja taxa passou de 2,93% para 0,08%.

"É um indício de que pode haver uma transmissão da desaceleração dos preços de alimentos processados para o varejo", diz Quadros. A carne bovina saiu de 6,50% na primeira prévia de outubro para 1,37%; as aves industrializadas, de 7,42% para -2,96%. O leite industrializado recuou -3,58%, o que impacta positivamente o preço dos laticínios.

O economista atribui esse arrefecimento ao fim do efeito da desvalorização do câmbio sobre os preços. No caso de bens intermediários, isso apareceu nos materiais para manufatura (de 2,20% para 0,11% na comparação das prévias de outubro e novembro) e, nas matérias-primas brutas, ficou bem aparente no trigo (de 2,84% para -2,58%). O produto acumula uma alta de 39% no ano e esse recuo significa um possível alívio para itens de consumo doméstico como o pão francês, farinha e massas.

O preço do minério de ferro também contribuiu positivamente para a primeira prévia do IGP-M, desacelerando de 6,64% para 3,56%. O movimento é visto por Quadros como indicativo de acomodação, após o produto recuperar as perdas vindas de um primeiro semestre em que havia desconfiança sobre o crescimento da China, grande consumidora de minério.

Sem efeito de reajustes salariais, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) seguiu desacelerando e ficou em 0,15% nessa prévia, após registrar 0,35% na primeira prévia do mês passado. Um reajuste na mão de obra é esperado em Recife este mês, mas, em contrapartida, o efeito do câmbio sobre os materiais de construção está sumindo.

Na contramão dos outros índices que compõem o IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,39%, acima do 0,25% da primeira prévia do mês passado. A aceleração foi concentrada no grupo Alimentação (0,14% para 0,55%) e, em especial, no item hortaliças e legumes (-9,98% para 2,73%). O tomate voltou a ser o vilão dos preços, com alta de 20,51%, ante -1,28% no primeiro decêndio de outubro. Segundo Quadros, essa alta tende a ser pontual, fruto da falta de estoques para atender a um pico de demanda.

"Há espaço em dezembro para uma descompressão dos preços de alimentos, que voltam a ser afetados no início do ano que vem por questões climáticas", explica. Os preços de carnes e derivados do trigo tendem a cair, pelo efeito já sinalizado no IPA.

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