Combustíveis podem ter reajustes freqüentes

Os reajustes nos preços dos combustíveis podem ser mais freqüentes a partir de julho. Segundo o gerente-geral de comércio interno da estatal, Alípio Ferreira Pinto, a empresa está estudando como será a política de preços ao fim do período de transição de 90 dias, definido em abril, segundo o qual os reajustes seriam feitos em um prazo mínimo de 15 dias. "Ainda não há uma decisão tomada, mas é claro para nós que reajustes de menor magnitude e maior freqüência trazem menos perturbação ao consumidor", disse o executivo.Ferreira Pinto afirmou que reajustes em prazo menor que os 15 dias atuais teriam um porcentual menor e, por isso, menos impacto no bolso do consumidor. "Se houvesse reajustes diários, eles não chegariam ao consumidor. Os reajustes seriam tão mínimos que não acabariam sendo amortecidos na própria cadeia. O consumidor sente muito mais um reajuste de impacto, feito depois de um período de estabilidade", afirmou. Segundo estudo encomendado pela estatal a uma consultoria estrangeira, 86% das petroleiras que atuam na Argentina, Estados Unidos e Inglaterra reajustam seus preços diariamente. Na metade dos casos, a alteração nos preços é feita simultaneamente à variação das cotações internacionais dos derivados. Na outra metade, as empresas esperam um dia para fazer o repasse.Atualmente, a Petrobrás faz uma média da cotação internacional durante 15 dias e define pelo porcentual de reajuste no mercado interno. O último foi uma redução de 1,08% do preço da gasolina e um aumento de 4,3% no preço do diesel. O período de transição termina entre o final de junho, no caso do diesel, e o início de julho, para a gasolina."A Petrobras não pode manter seus preços defasados. Na prática, procurará manter seus preços exatamente alinhados para que a gente seja competitivo. Os preços não podem ser elevados de forma a permitir uma enxurrada de outros competidores nem suficientemente baixos a ponto de não termos nenhum competidor chegando ao Brasil", avaliou o executivo.Para o professor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), reajustes mais freqüentes fazem sentido em um mercado aberto. "O único problema é que a Petrobrás é a única fornecedora no País. Quais serão os critérios para o reajuste, qual o parâmetro?", questiona. O gerente-geral da Petrobrás acredita que já há condições de competição no mercado. "As importações estão liberadas e instruímos a nossa empresa de logística, a Transpetro, para não recusar nenhum pedido de acesso a dutos e terminais", contou o executivo. Até o momento, porém, as importações por empresas privadas se resumem a Pernambuco, onde já desembarcaram quatro cargas de diesel, totalizando 80 milhões de litros, e uma carga de gasolina, de 20 milhões de litros - volume suficiente para abastecer um posto movimentado por apenas um mês.

Agencia Estado,

21 de maio de 2002 | 18h13

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