JF DIORIO/ESTADÃO
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Combustíveis sobem nos postos com alta do PIS/Cofins

Em São Paulo, litro da gasolina fica acima de R$ 3 na maioria dos postos; consumidores reclamaram do aumento

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 22h28

O aumento na tributação para combustível elevou o preço nas bombas de gasolina de boa parte dos postos de São Paulo. Com a alta na alíquota do PIS/Cofins e a restituição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), prevista para maio, o preço do litro foi elevado em R$ 0,22 para a gasolina e R$ 0,15 para o diesel. O preço do litro da gasolina ultrapassou os R$ 3 na maioria dos postos visitados pelo Estado. Em um posto na Avenida Rio Branco, no Centro, o litro da gasolina foi de R$ 2,899 para R$ 3,099. Em outro na Zona Oeste de São Paulo, o repasse também foi de R$ 0,20, chegando a R$ 3,199. Já o diesel e o etanol aumentaram R$ 0,10, para R$ 2,849 e R$ 1,999, respectivamente.

Muitos consumidores reclamaram da nova tributação. “Como eu sou frentista, eu já estava esperando”, disse Alex Antonio, de 30 anos, que abastecia seu carro com gasolina. Ele, que mora no Jardim Ângela, na Zona Sul, gasta cerca de R$ 600 por mês com combustível. “Infelizmente, não tem o que fazer, a gente depende do carro para vir trabalhar.” Ele conta que desde sábado, no posto em que trabalha, clientes já perguntavam sobre o aumento.

Em alguns locais, no entanto, o ajuste foi feito de forma “homeopática”. Em um posto em Santana, Zona Norte de São Paulo, gasolina, álcool e diesel foram elevados em R$ 0,10 o litro. Porém, o gerente Adelmo Souza, ao entrar em contato com o proprietário do posto, foi informado de que no dia seguinte (terça-feira) o litro da gasolina receberia um novo ajuste de R$ 0,10.

“Não sei porque eles resolveram fazer em duas etapas. Mas o etanol e o diesel não vão mais subir”, disse Souza. “No fim das contas, aqui vai aumentar R$ 0,20 o litro da gasolina, mas já ficamos sabendo que tem lugar aumentando mais de R$ 0,30.”

Embora ele afirme que muitos consumidores já tenham chegado de sobreaviso da mudança, alguns foram pegos de surpresa. Foi o caso do eletricista José Gilson da Silva, de 41 anos. “Como não queria completar, abasteci só R$ 20 hoje cedo, que normalmente já dá para sair da reserva, mas desta vez não saiu”, disse.

No meio da tarde, retornou ao mesmo posto, e então percebeu que o preço havia aumentado. “Geralmente gasto R$ 125 para completar o tanque, e desta vez, mesmo com os R$ 20 colocados hoje cedo, deu R$ 120”, disse ele, que mora em São Miguel e trabalha em Santana.

Alguns postos ainda não repassaram o reajuste, mas pretendem fazê-lo ainda nesta semana. “As distribuidoras já aumentaram à zero hora do dia 1°. Quem fez o pedido hoje já recebeu com preço novo, mas a liberdade de subir ou baixar o preço é do dono do posto”, afirmou José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sindipetro). “O preço é livre. Se ele tem estoque, ele segura o preço para ganhar cliente.”

Ele disse que, mesmo que alguns postos possam ganhar alguma margem com o novo preço, o setor é contrário à nova tributação. “Para nós, quanto mais barato, mais se consome, e quanto mais se consome, mais a gente fatura.”

Gouveia justificou o aumento de preços do etanol, que não sofreram nova tributação, com uma alta do mercado já na semana anterior. “Com o etanol, não é uma posição de governo, é do setor: o usineiro é que sobe ou não o preço do etanol”, disse. “O que aconteceu foi que alguns estabelecimentos ainda não haviam feito o reajuste na semana passada, e deixaram para fazer o repasse junto com a gasolina.” 

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