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Combustível ajudará no controle da inflação, diz economista

Carlos Thadeu de Freitas acredita que gasolina e álcool vão manter preços estáveis ou em queda em 2008

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

03 de outubro de 2007 | 18h02

Os combustíveis continuarão a dar, em 2008, contribuições importantes para o controle da inflação e o aumento das vendas do varejo. O economista Carlos Thadeu de Freitas, da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor de política monetária do Banco Central, acredita que a gasolina e o álcool não só vão manter os preços estáveis ou em queda no próximo ano como serão também alguns dos principais responsáveis para a revisão, para baixo, da inflação prevista para 2008 pelo mercado financeiro. Em 2007, a gasolina já acumulou queda de preços de janeiro a agosto, segundo o IPCA, de 1,90%. O álcool, no mesmo período, teve recuo de preços de 8,48%. A queda na cotação desses produtos estimulou os consumidores e fez com que as vendas do comércio varejista de combustíveis e lubrificantes tenham crescido, segundo o IBGE, 5,4% em 2007 até agosto, após amargar quedas nos anos de 2005 (-7,4%) e 2006 (-8,0%). Reinaldo Pereira, técnico da coordenação de comércio e serviços do instituto, atribui a expansão das vendas desses produtos a três fatores: queda nos preços, aumento do rendimento real dos trabalhadores e crescimento da frota de automóveis no País. Segundo ele, "com melhores preços, aumenta o consumo". Ele explica também que esse é um segmento muito sensível ao comportamento da renda dos trabalhadores e, com uma frota maior de automóveis em circulação, inevitavelmente cresce o consumo de álcool e gasolina. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de veículos no País foi de 1,93 milhão nos oito primeiros meses do ano, com aumento de 9,1% ante igual período do ano passado. Nesse mesmo período, 1,53 milhão de automóveis foram licenciados, com expansão de 27,3% na comparação com o acumulado de janeiro a agosto de 2006. Nos anos de 2005 e 2006, quando a venda varejista desses produtos registrou declínio, o IPCA acumulado da gasolina foi, respectivamente, de 7,76% e 2,94%. No caso do álcool, chegou a 5,65% em 2005, mas houve queda de preços no ano passado (-5,12%). Para Thadeu de Freitas, a volatilidade atual no preço do petróleo, aliada à valorização do real, evitará reajustes da gasolina no Brasil. A perspectiva de estabilidade no preço doméstico da gasolina, assim como a boa safra de álcool prevista para 2008 asseguram, segundo ele, que os combustíveis continuarão dando uma contribuição fundamental para conter a inflação em 2008. No IPCA de agosto (0,47%) a gasolina chegou a ter uma contribuição negativa de -0,04 ponto porcentual, ajudando a amortecer a pressão forte fornecida pelos produtos alimentícios. Thadeu de Freitas avalia que as expectativas para a inflação de 2008 - quando a meta de IPCA definida pelo Banco Central é de 4,5% - serão muito influenciadas pela valorização do real, a desaceleração dos preços livres e a estabilidade esperada para os preços dos combustíveis. Ele acredita que o mercado revisará para baixo, por esses fatores, a previsão de 4,1% para o IPCA do ano que vem, segundo o último boletim Focus. No que diz respeito à venda de gasolina e álcool no varejo, o economista acredita na continuidade, no ano que vem, do bom desempenho que vem sendo mostrado em 2007, com o prosseguimento da trajetória de crescimento das vendas de automóveis e a estabilidade nos preços dos combustíveis. Em entrevista na semana passada, diretores da Petrobrás afirmaram que o aumento da cotação do petróleo no mercado internacional tem sido compensado pelo câmbio no Brasil e, portanto, não há estimativa de aumento de preços por parte da empresa.

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