BRUNO ROCHA/FOTO ARENA
BRUNO ROCHA/FOTO ARENA

Combustível sai das distribuidoras e começa a chegar aos postos pelo País

Governos e consumidores relatam que postos começam a ser abastecidos; associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) estima que cerca de 250 mil caminhões permaneçam parados nas estradas

Roberta Pennafort, Ana Paula Niederauer, Elizabeth Lopes e Rene Moreira, , especial para O Estado

29 Maio 2018 | 12h48
Atualizado 29 Maio 2018 | 19h50

SÃO PAULO - A greve dos caminhoneiros entra nesta terça-feira, 29, em seu 9º dia, após as concessões feitas pelo governo Michel Temer à categoria. Pelo País, representantes de governos e consumidores relatam a saída de caminhões-tanque de distribuidoras e a chegada de diversos postos de combustíveis pelo País. No entanto, as filas nos postos ainda sofrem com o desabastecimento e em alguma regiões motoristas passam a noite na fila em busca de gasolina ou etanol.

Em São Paulo, o presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Gouveia, afirmou ao Estado que alguns postos estão recebendo combustível.

Segundo ele, as entregas do combustível de "boa qualidade" foram feitas durante a madrugada sob escolta policial. "A entrega de combustível é mínima e não há previsão para normalizar a situação na cidade de São Paulo. Oitenta por cento da entrega do combustível é feita pelos caminhões das refinarias que só conseguem sair escoltados. Os outros 20% é feito por caminhoneiros que estão em greve ou com medo de piquetes", explicou Gouveia.

Em São Caetano do Sul, uma distribuidora que abastece 900 postos da capital, Grande São Paulo e ABC voltou a fornecer combustível. Em cinco horas, saíram 3 milhões de litros de combustível do local. 

 

 

Interior. No interior de São Paulo, caminhões começaram a ser liberados pelos manifestantes no terminal de petróleo de Ribeirão Preto, na Rodovia Alexandre Balbo. O local estava bloqueado há nove dias e a medida vai permitir a chegada de combustível aos postos da região. Pelo menos 90% deles ainda estão sem etanol e gasolina. 

Em Sorocaba, segundo a PM, foi feita a escolta de 46 caminhões abastecidos no terminal de Barueri, na Grande São Paulo. Para garantir que a maioria dos postos da cidade recebam o combustível, o abastecimento será feito em cotas pequenas.

Postos de Campinas e Jundiaí também receberam combustível proveniente da Refinaria de Paulínia em veículos escoltados pela PM. Comboios do Exército estiveram na saída da refinaria, onde havia manifestação de caminhoneiros no acostamento da rodovia Zeferino Vaz (SP-332). Até mesmo caminhões sob escolta eram parados pelos manifestantes que exigiam comprovação de que se tratava de abastecimento para setores essenciais, como saúde e segurança.

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Rio de Janeiro. Na capital fluminense, caminhões com combustível saíram sem escolta dos terminais que ficam na área da Refinaria Duque de Caxias  (Reduc). A concentração de manifestantes nas imediações é bem discreta e não há impedimento para que os veículos sigam viagem. 

Cerca de 15% dos postos de combustíveis da cidade do Rio de Janeiro receberam algum volume de etanol, gasolina e diesel nesta terça-feira, informou o Sindcomb, sindicato que reúne 830 postos da cidade do Rio de Janeiro. Em alguns postos porém o combustível já acabou e não há estimativa de quando receberão novo carregamento, informou a entidade. A previsão é de em quatro ou cinco dias o consumidor encontre todos os combustíveis disponíveis em todo os postos.

Ceará. Os mais de 250 postos de combustíveis de Fortaleza, que no domingo, 27, ficaram 80% desabastecidos, amanheceram a terça-feira, 29, 100% abastecidos, segundo a Sindipostos. Para tanto, a Polícia Militar (PM) escoltou 250 viagens de carros tanques da base da Petrobras em Fortaleza para abastecer aeroportos e postos. O gabinete da crise de combustível montado pela Secretaria de Segurança Pública do Ceará monitora a situação no Estado e acredita no fim da greve até quinta-feira.

Minas Gerais. Na capital, a cidade vem aumentando, ainda que aos poucos, o fluxo de veículos nas ruas. Postos voltaram a receber combustível hoje, 29, no segundo dia de retomada das vendas aos motoristas da capital. O Minaspetro, sindicato dos representantes dos postos, no entanto, afirma não ter o número de estabelecimentos que voltaram a ter combustível. Na segunda-feira, 28, 29 dos 273 postos da cidade foram abastecidos.

Assim como já vem ocorrendo com combustível, Minas Gerais terá escolta da Polícia Militar para deslocamentos de carga de gás de cozinha, conforme informações da Polícia Militar. Há dois dias, quando ainda havia número maior de bloqueios nas estradas de Minas Gerais, as informações da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) eram de que os revendedores estavam com estoques praticamente esgotados. 

Em meio à greve dos caminhoneiros, os funcionários do metrô da  cidade entraram em greve hoje, 29, por tempo indeterminado. O sistema operou em escala mínima entre as 5h30 e 9h30 e, em seguida, as estações foram fechadas.

Paralisação. De acordo com a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), cerca de 250 mil caminhões permaneciam parados nas estradas na segunda-feira, 28, o equivalente a 30% dos que vinham participando do movimento.

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O governo federal identificou que esses caminhoneiros não seguem lideranças tradicionais e há pedidos difusos, que incluem a saída do presidente Michel Temer e do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, a intervenção militar no Brasil e a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato. "Virou uma situação sem controle", admite o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo da Silva, conhecido como China. Fontes do governo federal informam que foram identificados pelo menos três grupos políticos "infiltrados" nas paralisações.

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