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Combustível rabo-de-galo altera projeções do setor sucro-alcooleiro

O "rabo-de-galo", nome emprestado de uma bebida popular para designar a prática crescente entre os consumidores de usar álcool hidratado em veículos a gasolina, está levando o setor sucro-alcooleiro a rever suas projeções para o consumo na safra 2002/03. A disseminação da prosaica mistura deve-se ao baixo custo ostentado pelo álcool hidratado e à tolerância dos motores a gasolina ? que normalmente já recebem 25% de mistura de álcool anidro ? ao combustível da cana-de-açúcar.A expectativa inicial do setor era de que o consumo de álcool hidratado, que alcançou 5,4 bilhões de litros no ano agrícola 2001/02, recuasse para 4,8 bilhões na safra atual, acompanhando o sucateamento da frota de veículos a álcool. Mas, com a disseminação da prática do "rabo-de-galo", o setor já considera que o consumo de hidratado deverá ser de cerca de 5 bilhões de litros nesta safra.Na opinião do diretor-presidente da Companhia Energética Santa Elisa, Maurílio Biagi Filho, o "rabo-de-galo" é uma decorrência dos preços baixos apresentados pelo álcool hidratado neste ano. "O consumidor, ao colocar 10% ou 20% de álcool hidratado no tanque do carro a gasolina, além dos 25% de álcool anidro previstos pelo governo, reduz o gasto na compra de combustíveis", disse ele. Neste ano, de acordo com dados do setor, o álcool hidratado chegou a ostentar preço correspondente a 40% do valor de bomba da gasolina. Mistura induzidaOutra fonte do setor lembra que não foi só a reação espontânea do consumidor que ampliou o uso de álcool hidratado em carros a gasolina. Há postos revendedores que estão oferecendo o "rabo-de-galo" pronto, independentemente da vontade do consumidor. "Tem sido constatada, em fiscalizações realizadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), a presença de álcool hidratado nas bombas de gasolina", disse a fonte. A mistura encontra respaldo na grande tolerância do motor a gasolina ao álcool. Biagi relata que tem feito demonstrações a visitantes com veículos a gasolina que rodam com o tanque cheio de álcool hidratado, "sem prejuízos para o motor". Técnicos das distribuidoras de combustíveis advertem, porém, que a mistura pode provocar a perda de potência do motor e o aumento do consumo. Além disso, a presença de quase 8% de água no álcool hidratado tende a provocar a corrosão das peças do motor.Segundo o usineiro José Pessoa Queiroz Bisneto, um dos dirigentes do setor sucro-alcooleiro, o fenômeno chegou a interferir nos cálculos que os técnicos do setor sucro-alcooleiro e do governo federal vêm fazendo para projetar o nível de consumo para o período da entressafra, que começa neste mês e termina em abril do próximo ano. "Fica difícil prever a demanda pelo hidratado, que é calculada com base na frota de veículos que usam o combustível", disse ele.DivergênciasAo longo dos primeiros dias de novembro, circularam informações de que técnicos do governo e do setor sucro-alcooleiro divergiam sobre o volume de estoques na entressafra ? os primeiros prevendo um déficit de 160 milhões de litros, enquanto o setor trabalha com expectativa de excedente de 114 milhões de litros. Em uma reunião realizada na última quarta-feira, dia 13, os dois lados decidiram esperar o fim da safra, neste mês, para fazer conjuntamente o balanço entre a oferta e a demanda durante a entressafra.Apesar da popularidade do ?rabo-de-galo?, Biagi acredita que, com os aumentos dos preços do álcool hidratado e anidro, que saltaram cerca de 25% entre 22 de setembro e 27 de outubro nas usinas, a prática - tanto a mistura espontânea como a induzida pelos postos - tende a diminuir por perder a viabilidade econômica. Leia mais sobre o setor de Energia no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

Agencia Estado,

20 de novembro de 2002 | 14h46

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