Começa a melhorar a intenção de consumo

Depois de seis meses consecutivos de queda, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), teve alta de 0,9% em agosto em relação a julho, indo para 69,3 pontos. É possível que a melhora reflita expectativas mais otimistas com relação ao mercado de trabalho, decorrente do fato de que o número de demissões cresce mais lentamente.

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2016 | 03h00

O nível ainda é baixo, já que a pontuação varia de zero a 200, mas, entre os 7 quesitos que compõem o índice, o único que foi superior a 100 – acima do limite da chamada zona de indiferença – foi justamente o emprego atual, que alcançou 102,3 pontos, apresentando alta de 1,6%. Já a perspectiva com relação ao mercado de trabalho avançou 0,5% em agosto diante de julho.

O porcentual das famílias que se sentem mais seguras no que diz respeito ao emprego é atualmente de 28,9% do universo pesquisado, o que não é uma taxa elevada, mas que não chega a ser desanimadora em face da profundidade da crise pela qual o País vem passando desde meados de 2014.

O nível de consumo subiu 0,5% em agosto, sempre em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Apesar de as vendas em datas festivas não terem correspondido à expectativa, tem havido uma ativação do comércio de produtos do ramo mole (que não inclui bens duráveis de consumo).

Se os dados de agosto indicam uma situação mais favorável em confronto com os relativos ao primeiro semestre deste ano, as comparações com os do mesmo mês de 2015 ainda mostram quedas acentuadas. O ICF teve redução de 15,3% e o nível de consumo, de 29%. Confrontadas com os números de agosto do ano passado, caíram as perspectivas relativas ao mercado de trabalho (5,4%) e de consumo (20,4%).

Segundo a CNC, o pesado custo do crédito e a persistência de altos níveis de endividamento das famílias e de desemprego são os fatores que ainda impedem variações positivas em relação a 2015.

Como outras instituições e o próprio governo, a CNC vem revendo suas projeções para 2016, prevendo uma queda menor no movimento. Agora, são previstos recuos de 5,4% no varejo restrito e de 9,8% no ampliado, que engloba automóveis e materiais de construção. Com a estabilização do quadro político, talvez não seja exagerado esperar que nos próximos meses essas projeções venham a baixar ainda mais.

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