Começa contagem regressiva para a extradição de Cacciola

Tribunal do principado de Mônaco realiza audiência para analisar documentos e tem oito dias para dar parecer

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

13 de março de 2008 | 08h40

O Tribunal de Apelações do principado de Mônaco realizou audiência nesta nesta quinta-feira, 13, para analisar os documentos entregues pelo Ministério da Justiça para extraditar o ex-banqueiro Salvatore  Cacciola, preso desde setembro passado. Ainda não há decisão. A partir de agora, o tribunal tem oito dias para dar o seu parecer a favor ou contra a extradição. O Brasil está confiante de que, com a documentação correta, a decisão será favorável. Veja também:  Brasil entrega em Mônaco documentos sobre Cacciola Justiça federal nega liminar ao banqueiro Salvatore Cacciola Mônaco quer saber sobre direitos de Cacciola no Brasil A audiência de cerca de uma hora contou com a participação de Cacciola, que chegou em um carro comum da polícia, com vidros transparentes, e permitiu que fosse fotografado. Os documentos, entregues na segunda-feira, serão analisados pelo Tribunal de Apelações do principado, mas foram entregues com antecedência para possibilitar que a defesa tenha acesso às informações. Entre os documentos solicitados estão um atestado no qual o Estado brasileiro se compromete a garantir o amplo direito de defesa ao ex-banqueiro em caso de extradição - um indicativo de que a Justiça pode já estar preparando a extradição. Além da garantia, os juízes solicitaram ainda uma nova cópia da sentença de condenação de Cacciola, datada de 2005, e a tradução do artigo 594 do Código de Processo Penal brasileiro. O texto vem sendo usado pelo advogado monegasco de defesa do ex-banqueiro, Frank Michel, para sustentar a tese de que a Justiça brasileira não estaria analisando os recursos impetrados por outro defensor, o brasileiro Carlos Ely Eluf.  Entenda o caso O banqueiro Salvatores Cacciola era dono do Banco Marka e está foragido da Justiça brasileira desde 2000. Ele foi condenado a 13 anos de prisão, em 2005, por crimes de gestão fraudulenta, peculato e corrupção passiva durante a crise cambial que resultou na desvalorização do real, em 1999. Juntos, o Marka de Cacciola e outro banco, o FonteCindam, foram socorridos pelo Banco Central (BC) para não provocar uma crise no sistema bancário, mas teriam dado prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao governo. Cacciola, que tem cidadania italiana, mora em Roma, onde é proprietário de um hotel. Ao se hospedar em um hotel de Monte Carlo, Cacciola acabou sendo preso porque o nome dele foi localizado pela polícia durante uma vistoria de rotina em fichas de hóspedes do principado - desde que fugiu do Brasil, o banqueiro passou a integra a lista internacional de foragidos da Interpol. 

Tudo o que sabemos sobre:
Salvatore CacciolaMônaco

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.