Richard Drew/AFP
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Começa ''guerra'' pelo cargo de Strauss-Kahn

Usando a crise da Europa como pano de fundo, autoridades da UE querem que posto fique com um europeu; emergentes reagem

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

GENEBRA / CORRESPONDENTE

O francês Dominique Strauss Kahn entregou o cargo máximo no Fundo Monetário Internacional (FMI) e, com isso, abriu-se uma disputa entre os Brics e países ricos na primeira real disputa planetária pelo principal cargo nas finanças internacionais em 65 anos.

Para a China, chegou a vez de romper o controle europeu no FMI e ter um comando que reflita "a nova ordem internacional". Brasil, Rússia e Índia também reivindicam o cargo para os emergentes.

Ainda detido nos Estados Unidos, sob a suspeita de ter cometido agressão sexual contra uma funcionária de um hotel de Nova York, Strauss-Kahn entregou uma carta à direção do FMI garantindo sua inocência. Mas pediu demissão alegando que precisava "dedicar toda sua energia" para preparar sua defesa.

Mais tarde, Strauss-Kahn foi autorizado a esperar o julgamento em liberdade, sob fiança de US$ 1 milhão e vigiado 24 horas.

O incidente com o francês abriu uma verdadeira guerra diplomática. Depois de apenas poucas horas do anúncio da saída de DSK, como é conhecido na França, países em diversas partes do mundo iniciaram a corrida pelo posto. Mas se os europeus estão convencidos de que devem permanecer no controle da entidade, a China - segunda maior economia do mundo - e o restante dos Brics estão dispostos a frear essas pretensões.

Historicamente, a direção do FMI fica reservada sempre para um europeu, um acerto de cavalheiros após a 2.ª Guerra Mundial com os Estados Unidos. Desde a crise econômica em 2008, porém, ficou estabelecido que essa regra era coisa do passado.

Mas na primeira oportunidade, os europeus dão sinais claros de que não estão dispostos a abrir mão do controle da organização. Como não há um procedimento claro para a escolha do diretor, a queda de Strauss-Kahn abriu uma guerra declarada.

Tanto Timothy Geithner, secretário do Tesouro americano, como os europeus, fizeram questão de apelar para uma transição rápida para não deixar a situação de crise na Europa contaminar a recuperação da economia internacional.

Processo. Hoje, a entidade se reúne para tentar definir como serão os procedimentos de escolha, que pode levar até dois meses. Interinamente, o americano John Lipsky está no comando.

A chanceler alemã, Angela Merkel, insistiu ontem que quer o FMI nas mãos da Europa. "Naturalmente, os países em desenvolvimento têm interesse nas posições mais altas do FMI e do Banco Mundial. Mas a atual situação favorece um candidato europeu, dado os problemas consideráveis que vive o euro."

Para o comissário Econômico da União Europeia (UE), Olli Rehn, o próximo diretor precisa ter um "conhecimento sólido da economia europeia". O mesmo pensa o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

Ontem, a UE tentou fechar uma união em torno do nome de Christine Lagarde, ministra de Finanças da França. A própria ministra evitou comentar a situação e apenas apontou que um candidato deveria unir a Europa. Outra opção seria o também francês Jean-Claude Trichet, atual presidente do Banco Central Europeu (BCE).

A China e outros países emergentes rebateram o argumento e alertaram que o FMI deveria refletir as mudanças na ordem econômica mundial e ser mais representativo dos emergentes. O presidente do BC chinês, Zhou Xiaochuan, pediu que o novo chefe do Fundo não fosse escolhido por uma questão geográfica.

A pressão vem um dia depois de o Brasil ter enviado uma carta ao FMI pedindo atenção na escolha do novo diretor do FMI.

Mandachuva

Os EUA, maiores acionistas do FMI, não vão apoiar a demanda dos países emergentes de romper a tradição de que o diretor-gerente seja um europeu, informa reportagem do Wall Street Journal.

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