Começa hoje abertura total do corralón na Argentina

Começa hoje a abertura total do "corralón" (depósitos a prazo fixo) na Argentina. Os argentinos com depósitos constituídos originalmente em pesos (466 milhões de pesos) e com os chamados Cedros (comprovantes de depósitos em dólares que foram pesificados) de até 42 mil pesos, cerca de 6,6 bilhões no total, poderão sacar seus fundos ou reaplicar o dinheiro em novos depósitos "livres". O aplicador receberá em dinheiro vivo o montante do depósito original, pesificado a 1,40, mais o indexador CER e uma taxa de juros de 2% ao ano. Pela diferença entre essa cifra e a cotação do câmbio livre, o poupador receberá um Bônus do governo, Boden 2013. O mesmo cálculo vale para os Cedros acima de 42 mil até 100 mil pesos, mas nesse caso, o pequeno investidor deverá aplicá-los, obrigatoriamente, em prazo fixo de três meses, podendo dispor dos Boden 2013. Para os Cedros acima de 100 mil pesos, o prazo fixo será de quatro meses. O decreto do governo que estabelece a abertura do "corralón" dá um prazo de dez dias para que o aplicador aceite a oferta voluntariamente. Para os analistas, a proposta é atraente, porque permite recuperar uma maior porcentagem do capital investido do que as trocas anteriores, realizadas pelo Ministério de Economia. Ficar com o Cedro significa ganhar somente uma taxa de juros de 2% anual mais o indexador CER, enquanto que o novo depósito de prazo fixo está rendendo entre 20% a 24% em 30 dias. Para aqueles que entraram na Justiça para reaverem seus depósitos originais presos em dezembro de 2001 pelo "corralito" e "corralón" do ex-ministro de Economia, Domingo Cavallo, e pesificados, posteriormente pelo presidente Eduardo Duhalde, a situação é um pouco diferente. Se decidirem aceitar a troca do governo, são obrigados a desistir do processo e arcar com os custos judiciais, o que sairia mais caro.Abertura total do não deve pressionar dólarOs analistas de mercado e os banqueiros argentinos avaliam que a abertura total do chamado "corralón" (depósitos a prazo fixo) não pressionará a cotação do dólar, devido à grande oferta da moeda e que os bancos não terão problemas de liquidez para devolver os depósitos. Segundo o diretor de Finanças do Banex, José Luis Panero, vários bancos já pagaram a devolução dos prazos fixos calculados em 1,40 pesos mais o indexador CER, e parte deste dinheiro ficou no banco. Outra parte foi para a compra de dólares, sem provocar pressão. O economista da Fundação Capital, Carlos Pérez, também acredita que o investidor deste porte (até 42 mil pesos) é aquele que segue as orientações de seu gerente para poupar seu dinheiro. Neste sentido, os bancos estão oferecendo boas taxas de juros anuais para as novas aplicações: entre 20% e 24% . Um rendimento que vai além das projeções de inflação e de valorização do dólar. Alguns bancos estão oferecendo a devolução imediata de todos os depósitos sem limites de cifras: Itaú, Mariva, Credicoop, Macro-Bansud e o Banco de La Pampa.

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