Começa reunião da UE para crise; França pede plano ambicioso

Presidente francês e chanceler alemã reiteram necessidade de ações coordenadas para resgatar economia

Agências internacionais,

12 de outubro de 2008 | 12h51

O presidente Nicolas Sarkozy afirmou neste domingo, 12, esperar que a reunião dos líderes de 15 países da União Européia resulte em um plano ambicioso e coordenado contra os efeitos da crise global financeira antes da reabertura dos mercados, em pânico, nesta segunda-feira. De acordo com uma declaração preliminar divulgada antes do encontro, os membros do grupo estão dispostos a garantir o financiamento dos bancos e evitar a quebra das instituições com a recapitalização.   Veja também: Reino Unido vai resgatar seus 4 maiores bancos, diz jornal FMI apóia ajuda a bancos e pede ações 'audaciosas' Bolsa cai 20% em semana de pânico  Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    Entre os assuntos da pauta está a possibilidade de os países garantirem empréstimos interbancários com o objetivo de descongelar os mercados de crédito. Segundo o líder francês, as decisões tomadas na zona do euro serão submetidas aos outros 12 países do grupo que não participam do encontro que começou em Paris no início da tarde. A Europa parece decidida a seguir os passos do Reino Unido no sentido de oferecer recursos não apenas para ajudar bancos em crise, mas para garantir empréstimos de curto prazo entre instituições financeiras e dar movimento aos mercados de crédito.   A prévia do documento prevê que os governos ofereçam garantias e seguro, comprem papéis de companhias problemáticas, forneça capital de qualidade para instituições financeiras por meio de ações preferenciais, entre outros instrumentos, e atuem para estabilizar os vencimentos de longo prazo. O pacote também solicita que o Banco Central Europeu (ECB, na sigla em inglês) crie um instrumento para adquirir papéis comerciais de instituições financeiras e outras companhias e injetar recursos em operações famintas por liquidez.   Sem dizer quanto o programa vai custar ou como será financiado, a declaração afirma que os governos serão cautelosos em relação aos interesses dos contribuintes e assegura que os atuais acionistas e dirigentes das empresas que vierem a ser resgatadas vão tolerar as conseqüências da intervenção governamental. O documento acrescenta que as companhias que receberem ajuda emergencial serão reestruturadas. Contudo, ainda não está claro se os pontos contidos neste declaração serão mantidos no texto final da cúpula.   "Espero um plano ambicioso, coordenado, que traga soluções", afirmou Sarkozy antes do encontro. A chanceler alemã, Angela Merkel, disse esperar que os representantes possam garantir um "sinal muito importante para os mercados". "Nosso objetivo é definir uma ação conjunta coordenada para a zona do euro, para que possamos nos próximos dias tomas medidas nacionais que estabilizem os mercados financeiros, medidas que não penalizem cada Estado". A reunião foi precedida por um encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, cujo país não pertence ao grupo de países da moeda única européia. Embora o Reino Unido não tenha adotado o euro como moeda oficial, seu plano de resgate - que inclui a nacionalização parcial dos bancos - pode fornecer inspiração para o plano europeu.   Sarkozy e Merkel rechaçaram qualquer plano conjunto de resgate financeiro nos moldes do aprovado pelos Estados Unidos na semana passada. "A crise demanda respostas extremamente rápidas" e a criação de um fundo europeu "geraria problemas gigantescos" na tomada de decisão entre tantas nações. O Congresso dos Estados Unidos aprovou um pacote de US$ 750 bilhões para o resgate de instituições financeiras. A cúpula conta com a presença também do presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso; do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e do Eurogrupo, Jean-Claude Jucker.   Pacote de socorro   A edição deste domingo do jornal britânico Sunday Times afirma que o governo britânico lançará sua maior operação de resgate dos bancos, avaliada em cerca de 44,1 bilhões de euros, para salvar do colapso quatro das maiores entidades do país: o Halifax Bank of Scotland (HBOS), o Royal Bank of Scotland (RBS), o Barclays e o Lloyds TSB. Segundo o plano de salvamento sem precedentes, que será iniciado na segunda, o governo poderia assumir 70% do HBOS, o principal banco hipotecário do país, e 50% do RBS.   O governo de Portugal anunciou um pacote de 20 bilhões de euros para ajudar bancos em dificuldade diante da crise financeira global. "A fim de reforçar nosso sistema financeiro, o governo decidiu liberar uma garantia inicial para as operações financeiras das instituições de crédito com sede em Portugal", afirmou o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, após uma reunião ministerial que discutiu a situação.   Embora tenha classificado o sistema financeiro português como "sólido", o ministro disse que a medida era necessária devido à crise global que secou os empréstimos interbancários e ameaça a economia como um todo. "Nos mercados interbancários nacionais e internacionais, os financiamentos foram fortemente reduzidos", justificou. Segundo o ministro, a medida tem o objetivo de facilitar o acesso dos bancos à liquidez e criar "condições que os permita financiar a atividade econômica". "Basicamente, a garantia significa que, se uma instituição bancária é incapaz de cumprir seus compromissos, o Estado assume a responsabilidade", explicou Santos.   Segundo um porta-voz do Ministério das Finanças alemão ouvido pela agência de notícias France Press, o governo de Berlim não vai dar nenhuma informação sobre seu pacote de resgate financeiro até segunda-feira. "Os detalhes definitivamente não serão anunciados neste domingo; o mais cedo amanhã", afirmou. Segundo reportagens, o pacote de resgate inclui uma injeção de 50 bilhões a 100 bilhões de euros (US$ 70 a US$ 135 bilhões) em capital novo em troca de ações dos bancos, algo semelhante ao plano de estatização parcial anunciado pelo Reino Unido nos últimos dias. O plano também deve liberar entre 300 bilhões e 400 bilhões de euros para garantir os empréstimos interbancários.   Matéria atualizada às 14h15.

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