Valter Campanato/Agência Brasil
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Começamos a discutir acordo com México, que será abrangente, diz Marco Troyjo

Na conferência com empresários, pesquisadores e investidores na China, Troyjo argumentou que o Brasil não construiu, atualmente, uma parceria verdadeira com a China

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2019 | 17h01

O secretário de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, afirmou nesta segunda-feira, 9, que estão em andamento negociações formais com o México para um acordo comercial com o Brasil. Nessa discussão, Troyjo afirma que a decisão do governo é buscar um acordo abrangente e que traga vantagem para o Brasil no que diz respeito ao índice de conteúdo regional na produção do parceiro mexicano.

O objetivo é um desafio importante visto que a economia mexicana é muito mais globalizada do que a brasileira, segundo afirmou Troyjo, que participou nesta segunda-feira da Conferência Anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em São Paulo.

Na conferência com empresários, pesquisadores e investidores na China, Troyjo argumentou que o Brasil não construiu, atualmente, uma parceria verdadeira com a China. “Somos fregueses. O Brasil é freguês da China. E a China é freguês do Brasil. Não somos parceiros”, disse o secretário, acrescentando que o País não tem uma estratégia para construir essa parceria com a China que precisa ter. Troyjo afirmou que criar uma parceria estratégica com os chineses será, certamente, uma das grandes alavancas, se não a principal, para o desenvolvimento brasileiro.

Para construir essa parceria estratégica com os chineses, o governo brasileiro precisa enfrentar quatro questões. A primeira delas é a fraca presença física na China. “O Brasil precisa ser mais vistoso e visível na China. Nossa presença é tímida [em território chinês]”, disse Troyjo. A segunda é optar por uma estratégia com a China que não impeça condições privilegiadas com outros “atores de extraordinária importância, como os Estados Unidos”, segundo o secretário. Ele argumentou que, por serem países ocidentais, EUA e Brasil têm uma empatia natural, afinal são duas democracias, com poderes bem definidos, instituições fortes, imprensa livre.

Troyjo afirmou que, diferentemente da evolução do comércio com os Estados Unidos, a relação comercial com a China pulou de um volume comercializado de US$ 1 bilhão em 2001 para os atuais US$ 100 bilhões. “[Ou seja], o Brasil tem mais a fazer pela relação com os Estados Unidos e correr contra o tempo perdido”, disse Troyjo.

A terceira questão apontada por Troyjo é como defender a soberania e, ao mesmo tempo, permitir o ingresso de investimento chinês. A quarta questão é pensarmos em projetos de natureza regional ou transnacional. “Tudo isso precisará de um tipo de coordenação com nossos vizinhos, a qual nunca fizemos”, disse Troyjo.

Arábia Saudita dos alimentos

O secretário argumentou que o Brasil poderá se tornar uma “Arábia Saudita dos alimentos” se construir um bom planejamento para aproveitar o crescimento de países asiáticos e o novo modelo econômico da China - pelo qual o país busca ser mero exportador global e busca investir em outros países. Ele observou que o crescimento populacional e, sobretudo, de renda per capita em gigantes mundiais como a China e a Índia irão demandar um volume de exportação de alimentos muito grande.

“É mais uma oportunidade que a China, a Eurasia e o Sudeste asiático oferecem para países produtores de alimentos como Brasil e Argentina, que poderão se converter numa espécie de Arábia Saudita da produção de alimentos no mundo”, disse Troyjo.

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