Luis Macedo/ Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados Luis Macedo/ Câmara dos Deputados

Comentário de Maia sobre PIB retoma debate sobre papel do gasto público no crescimento

Maia ressaltou a importância da participação do Estado no desenvolvimento do País: 'O setor privado sozinho não vai resolver os problemas'

Adriana Fernandes e Camilla Turtelli, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 20h54

BRASÍLIA - O crescimento baixo do Brasil no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro reacendeu a polêmica sobre a necessidade de estímulos do Estado para impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) que patina na faixa de 1% ao ano após do período de recessão iniciado no governo Dilma Rousseff.

O debate, que provocou embates ruidosos entre os economistas nas redes sociais e no Congresso após a divulgação na manhã desta quarta, 4, feita pelo IBGE, teve um ingrediente a mais: a declaração do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Ao comentar o PIB de 2019, Maia ressaltou a importância da participação do Estado no desenvolvimento do País. "O setor privado sozinho não vai resolver os problemas. Então acho que a grande mensagem do PIB que saiu hoje é exatamente que a participação do Estado também será sempre importante para que o Brasil possa crescer e se desenvolver", disse Maia.

O presidente da Câmara foi além: "A gente não consegue organizar um país apenas fazendo as reformas, cortando, cortando, cortando. Isso tudo é fundamental, a reforma administrativa, previdenciária, o novo sistema tributário", disse.

A fala de Maia teve logo repercussão no mercado. Muitos analistas se perguntaram se o presidente da Câmara, considerado o principal fiador das reformas, havia mudado de tom, numa rendição à exaltação da importância dos gastos para o crescimento ou se estava apenas cutucando o ministro da Economia, Paulo Guedes. O ministro e sua equipe são defensores fervorosos da retomada pelo investimento privado.

Procurado pelo Estado, Maia disse que continua defendendo as reformas: "Eu defendo as reformas porque entendo que temos que abrir uma capacidade de investimento para o Estado brasileiro. O investimento público é importante. Não apenas as reformas que fazem restrição fiscal", ponderou. Na sua avaliação, o Congresso tem que fazer uma boa reforma administrativa e organizar as despesas correntes para que haja mais recursos para investimento.

O presidente da Câmara negou que tenha sugerido a ampliar despesa para estimular crescimento. "De forma nenhuma, ampliar despesa, gerando endividamento. Nada disso", disse Maia. Ele defendeu a abertura de espaço nas despesas discricionárias, via as reformas, para investimento em infraestrutura e na área social. E também parceria com o setor privado, com recursos do Orçamento.

Um dos economistas mais próximos de Maia, José Marcio Camargo, não acredita que o parlamentar tenha mudado de posição. "Ele tem consciência que as reformas são importantes. É possível interpretar essa fala no sentido de que as reformas são importantes para liberar recursos para o governo investir", disse. "Pelo que eu conheço dele, eu acho pouco provável que ele esteja dizendo: 'pode gastar à vontade que o Brasil vai crescer'", enfatizou Camargo, professor da PUC do Rio de Janeiro.

No Congresso, já se espera uma pressão na equipe econômica maior por conta do PIB. "A economia mostrou um respiro, um balão oxigênio, mas não dá para pensar em repetir em 2020 o resultado aquém das expectativas", disse Efraim Filho (PB), líder do DEM na Câmara. Segundo ele, o resultado do PIB demonstra que é preciso haver um esforço concentrado e conjunto para cuidar da agenda econômica. "É ela que realmente interessa ao Brasil que é a retomada do crescimento, voltar a se desenvolver. Essa é a agenda da vida real das pessoas", disse.

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