Comerciantes devem aumentar importações em 2010

Crescimento da economia, combinado com queda do dólar, motivará esse movimento, diz consultoria

Agência Estado,

26 de dezembro de 2009 | 15h21

O setor varejista deverá ampliar em 2010 a participação dos produtos importados nas lojas, diante da perspectiva de alta próxima a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e da manutenção da desvalorização do dólar ante o real. Entre os produtos que devem se destacar nas compras externas estão alimentos, bebidas, eletroeletrônicos, vestuário e produtos populares. Assim como neste ano, as importações terão importante papel na complementação da demanda varejista.

 

Segundo o economista da Tendências Consultoria Alexandre Andrade as importações em 2010 serão puxadas pela expansão do crédito, pela manutenção do atual patamar de juros - que incentiva as vendas a prazo - e pelo incremento projetado de 6,4% da massa salarial sobre este ano. "As importações de bens de consumo exerceram importante influência no atendimento este ano das vendas no varejo brasileiro, quadro que se repetirá, com mais intensidade, em 2010."

 

A projeção da consultoria é de que o volume das vendas no varejo restrito, que exclui a comercialização de automóveis e materiais de construção, cresça 5,6% este ano, frente a uma projeção de 7% para 2010. Andrade salienta que as importações vão complementar a produção nacional, em um ano que terá a Copa do Mundo, na África do Sul, como um "forte fator de estímulo" às vendas, sobretudo de eletroeletrônicos. "A indústria nacional vem registrando recuperação gradual, mas deverá retomar os níveis de produção anteriores à crise apenas no fim de 2010", prevê.

 

Diante da desvalorização do dólar, que acirrou a concorrência frente aos importados, as indústrias nacionais vêm reduzindo a produção de eletroeletrônicos da linha de áudio e vídeo, optando pela compra no exterior dos aparelhos, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústria de Aparelhos Eletro Eletrônico e Similares, Wilson Périco. "As indústrias estão migrando da produção de áudio e vídeo para a fabricação de televisores de plasma e LCD que, com o dólar desvalorizado, ficam com seus componentes mais baratos", diz.

 

As importações de bens de consumo vêm avançando desde junho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), após a retração observada diante da crise financeira internacional. Entre junho e novembro, a média diária das importações subiu 43,4%. A média diária das compras externas de bens de consumo em novembro foi de US$ 109,6 milhões, número próximo ao de setembro de 2008, de US$ 109,7 milhões.

 

"Essas importações (de bens de consumo) foram direcionadas basicamente para atender à demanda do mercado interno", diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Para 2010, ele prevê a aceleração das importações, impulsionada pela evolução do PIB. "A cada 1% de aumento do PIB há um incremento de 3% das importações", observa Castro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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