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Comércio: a maré não está para peixe

ANÁLISE: Thaís Marsola Zara

O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2014 | 02h01

A queda de 1,1% do comércio varejista em julho, na comparação com o mês anterior, foi a maior desde outubro de 2008. Chama a atenção a forte retração de 1,3% do segmento de hiper e supermercados, após ter sido o único a crescer em junho (0,5%). Algum efeito pode ter ocorrido pela eliminação prematura do Brasil na Copa; mas a péssima situação do varejo é muito mais abrangente e profunda do que um mero efeito calendário pode indicar.

Veja-se, por exemplo, a queda de 5% segmento de móveis e eletrodomésticos quando comparado com dezembro do ano passado. E a perda de dinamismo de livrarias/jornais e equipamentos de informática, bem como de veículos e material de construção (em que pese uma pequena recuperação de ambos em julho, após a expressiva retração de junho). Todos os setores dependentes de crédito, portanto, vêm mostrando consistente e paulatino declínio. Ao mesmo tempo, os setores mais ligados à massa salarial também dão mostras de perda de dinamismo.

A esse quadro de arrefecimento, soma-se a possibilidade restrita de medidas de estímulo no curto prazo. Diferente do que ocorria na crise de 2008, agora estamos namorando o teto da meta com preços administrados represados, ameaçando a inflação do ano seguinte.

O esfriamento do mercado de trabalho inibe os bancos a emprestarem - torna-os mais seletivos, temerosos da inadimplência. Os níveis de endividamento estão em níveis recordes. A confiança do consumidor, em reação a esses fatores adversos, se retrai.

É a crônica de uma tragédia anunciada, da triste rotina dos economistas nos últimos meses: a contínua revisão das projeções do ritmo de atividade econômica para baixo. Com esse desempenho do comércio varejista em julho, caso ficasse estável nos próximos meses, o varejo cresceria apenas 1.5% no ano. A maré não está para peixe.

ECONOMISTA-CHEFE DA ROSENBERG ASSOCIADOS

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